Acordo entre Odebrecht e governo sobre Cerb foi coordenado por Rui, aponta delator

Sem ser citado formalmente pela Procuradoria Geral da República após o acordo de colaboração premiada dos ex-executivos do Grupo Odebrecht, o governador Rui Costa (PT) teria sido coordenador do acordo entre a empresa e o governo do Estado para resolução do litígio judicial envolvendo a Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb). A informação consta no depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, utilizado para encaminhar o pedido de autorização de inquérito remetido para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região contra o ex-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Jaques Wagner. Segundo Melo Filho, um acordo celebrado entre André Vital, ex-diretor superintendente, Benedicto Júnior, ex-diretor da Odebrecht Infraestrutura, e Jaques Wagner condicionava o repasse de cerca de R$ 30 milhões para campanhas do PT ao longo de oito anos à solução de um litígio de R$ 390 milhões entre a empresa e a Cerb. “Ficou combinado entre eles que, se recebesse R$ 290 milhões, esse valor certamente seria dividido em anos, porque não seria de forma imediata, e eles, o André [Vital], o [Benedicto] Junior e o Marcelo [Odebrecht] estariam dispostos a fazer
uma contribuição do valor de R$ 30 milhões ao longo do tempo para campanhas que viessem a ter”, sugere Melo Filho, citando nominalmente Rui Costa, à época chefe da Casa Civil de Wagner, como o responsável, por parte do governo da Bahia, para cumprir a resolução da demanda judicial – que se arrastaria desde a década de 1990. “O governador estabeleceu que esse assunto seria tratado pelo secretário Rui Costa, que viria a ser candidato ao governo, e o André Vital foi quem tratou com o senhor Rui Costa”, explicou o delator.
O imbróglio envolvendo Odebrecht e a Cerb seria, de acordo com Melo Filho, uma tentativa de minorar os efeitos de demandas por aditivos para que a Arena Fonte Nova estivesse completamente estruturada para a Copa das Confederações em 2013, inicialmente não previstos contratualmente. “Durante o ano de 2013, praticamente nada avançou com relação a esse assunto. Quando chegou em 2014, quando a gente estava fazendo o planejamento de campanha que ia acontecer, Marcelo pediu que procurasse Cláudio Melo Filho para dar um recado ao senhor governador Jaques Wagner dizendo que qualquer apoio de campanha ao candidato ao governo do estado da Bahia do PT estaria condicionado à resolução definitiva do assunto da Cerb”, detalhou André Vital, também em colaboração premiada. “Ficou acertado que o governo da Bahia pagaria um total de R$ 290 milhões por nosso direito em oito anos e seria feito um pagamento de R$ 100 milhões ao longo de 2014. E ficou decidido que, na semana seguinte, faríamos os trâmites burocráticos para o acordo e a companhia apoiaria as campanhas do PT, ao longo desses anos de desembolso, oito anos, no montante de R$ 30 milhões. Dos quais o governador pediu que R$ 10 milhões fosse feito em 2014”, completou o ex-diretor-superintendente.
Vital relata que o acordo foi firmado formalmente apenas às vésperas da eleição de 2014 e que, na sexta-feira imediatamente anterior ao pleito, 3 de outubro, recebeu uma ligação de Wagner para cobrar a colaboração de campanha da contrapartida envolvendo a Cerb. “Reportei a Benedicto Junior e ele liberou R$ 5 milhões para a campanha do candidato a governador do PT em 2014. Junior ficou de ver a forma de operacionalizar. Tinha sido feito via o Grupo Petrópolis”, explicou o ex-diretor-superintendente. De acordo com a prestação de contas de Rui Costa junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Grupo Odebrecht totalizou doações de R$ 929 mil, enquanto o Grupo Petrópolis efetuou doações de R$ 2,83 milhões, com R$ 2,65 milhões pagos, via direção estadual do PT, no dia 3 de outubro de 2014. Apesar de citarem nominalmente Rui Costa, Melo Filho e Vital negaram manter relações com o atual governador da Bahia. (bahianoticias)

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