Interior da Bahia se divide entre o drama da seca e a calamidade das chuvas

Gilberto Gil descreveu, em 1994, as inúmeras dicotomias nordestinas em uma música. O verso “de um lado esse carnaval, do outro a fome total”, em ‘A novidade’, embala a história de duas cidades próximas geograficamente e dramaticamente distantes.
Separadas por apenas 1h e meia de chão, os municípios de Lajedinho e Ruy Barbosa, ambas na região da Chapada Diamantina, começaram o ano de 2017 provando dos efeitos da chuva – ou falta dela.

Lajedinho

A cidade de Lajedinho, a 377 quilômetros de Salvador, ficou conhecida em 2013 após receber 150 mm de água em apenas um dia de chuva, deixando 17 mortos e 600 desabrigados em dezembro daquele ano. Entre o dia 31 de março e 1º de abril de 2017, um temporal voltou a tomar conta do município. O volume de água que caiu na região superou o de três anos atrás: foram 210 mm. Várias ruas ficaram descalçadas e foram invadidas com uma grande quantidade de
lama.
Desta vez, pelo menos 20 famílias ficaram desalojadas. De acordo com o morador Diogo Santiago, o canal que corta a cidade não suportou a força da natureza, transbordou e voltou a alagar a parte baixa do município. “Teve gente que nem tinha se reestruturado direito da outra tragédia e já perdeu sofá, geladeira, alimentos e outros móveis”, conta.
Ao Aratu Online o prefeito da cidade, Marcos Mota (PSD), informou que está trabalhando para amenizar a situação dos atingidos. “Foi uma noite tensa, lembramos de tudo que vivemos em 2013”, relembra.

Ruy Barbosa

Se de um lado é fome total, de outro é carnaval. O município de Ruy Barbosa, a 323 quilômetros da capital baiana, ficou em festa na tarde desta terça-feira (11/4). Após entrar em estado de emergência reconhecido pelo Governo Federal, devido à estiagem, grande parte da cidade voltou a contar com a chuva.
A moradora Vera Maia contou ao Aratu Online como foram os quase seis meses sem chuva. “Nós chegamos a andar quase a cidade inteira atrás de água, mas não adiantou muito. O que salvou a gente foram as doações, realmente fizeram a diferença”. Moradora há 20 anos, Vera ressaltou que nunca viveu um período tão severo de estiagem. “Uma criança aqui da rua, filha de uma vizinha, revezava com a irmã a hora de beber água. É desesperador presenciar isso”, revela.
Nesta segunda-feira (10/4) – um dia antes de a reportagem entrar em contato com os moradores –, porém, voltou a chover em Ruy Barbosa e os habitantes do município caracterizaram o episódio como “milagre da natureza”.

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