Pegada de 5,7 milhões de anos põe em xeque local da origem humana

A descoberta de pegadas na ilha de Creta, na Grécia, de 5,7 milhões de anos, segundo um recente estudo polonês, pode mudar a crença de que a origem dos seres humanos está na África. Diante das evidências fósseis e geológicas anteriores ao período durante o qual convencionalmente acredita-se que os hominins tenham deixado o continente africano, há cerca de 4 milhões de anos, os pesquisadores sugeriram que os antepassados da espécie podem ter explorado outros continentes, incluindo a Europa, muito antes do que se sabia.
A pesquisadora Elspeth Hayes conversa com Mark Djandjomerr e May Nango, habitantes aborigenes da região, enquanto colhe amostras comparativas em uma caverna adjacente ao sítio de Madjedbebe: primeiros habitantes da Austrália já usavam ferramentas e armasHumanos modernos chegaram na
Austrália antes do que se pensava
Gato da espécie Felis silvestris lybica, que teria se espalhado pelo mundoPesquisa mostra que primeiro gato chegou na Europa ainda na Idade da Pedra
"Esta descoberta desafia a narrativa estabelecida da evolução humana e provavelmente gerará muitos debates", disse um dos autores do estudo, o professor Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia, ao site inglês "The Independent". Porém, completou: "A questão de saber se a comunidade de pesquisa de origens humanas aceita as pegadas fósseis como prova conclusiva da presença de hominins no Mioceno de Creta permanece sob análise".
As antigas pegadas descobertas por Gerard Gierliński, do Instituto Polonês de Pesquisa em Varsóvia, estão a mais de 2,5 mil quilômetros de distância de Chade, na pequena ilha de Trachilos, perto de Creta. Gierliński juntou-se com colegas para analisar as descobertas.
A equipe descobriu que eles poderiam reconhecer dois conjuntos distintos de pegadas, ambos aparentemente deixados por um animal que andou com duas pernas. O estudo analisou as características da pegada, em particular examinando seus dedos. Ele descobriu que a pegada não tinha garras, andava com dois pés e tinha dedos internos que saíam além dos exteriores.
No momento em que a pegada foi feita, o deserto do Saara não existia e os ambientes exuberantes de tipo savana passaram do norte da África para o Mediterrâneo oriental e Creta ainda não se separou do continente grego. Tudo isso torna mais fácil ver como esses primeiros hominins se dirigiram para a ilha.
A história aceita da linhagem humana tem sido amplamente estabelecida desde que os pesquisadores encontraram fósseis de antepassados dos humanos na África, em meados do século XX. As descobertas posteriores pareciam sugerir que eles permaneceram isolados no continente por milhões de anos antes de finalmente se mudar para a Europa e a Ásia. (oglobo)

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