Dezenas de jacarés morrem após lagoas secarem na Ilha do Bananal

Uma força-tarefa foi montada para resgatar jacarés em lagoas que secaram devido à seca prolongada na região da Ilha do Bananal, sudoeste do Tocantins. Dezenas de animais morreram e os que ainda sobrevivem se aglomeram em poças de lama. A travessia para a ilha está sendo feita de carro depois que rios da região secaram.
Homens do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recurso Hídricos (Ibama), Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e Universidade Federal do Tocantins (UFT) foram para a região na última quinta-feira (26) fazer o resgate dos animais.
Além dos jacarés, cabeças de gado criadas por indígenas da região também estão ficando atoladas nos lagos que secaram. "Chegando aqui em um lago, onde a gente já tinha feito um reconhecimento da área, mas infelizmente não podíamos fazer nada. Olha que cena mais cruel de se ver. Olha isso um bezerro atolado junto com um bando de jacarés dentro da lama", diz um brigadista em
um vídeo divulgado nas redes sociais.
Conforme o Ibama, a situação existe na região, mas está mais intensa neste ano devido à seca prolongada. Para capturar os jacarés, as equipes usaram o cambão, uma haste com um laço na ponta. Também foi preciso amarrar a boca, as patas e o rabo dos jacarés.
Um dos animais tinha mais de quatro metros e precisou ser imobilizado por cinco homens e duas mulheres. "Não é que a gente não sente medo. Tudo é questão da técnica, e da metodologia. Então fica tudo mais natural", disse o técnico do Ibama Ângelo Gomes.
Para tirar o bicho do local foi preciso puxar com uma caminhonete. Os jacarés foram levados para lagoas próximas que ainda têm água. "Cada vez mais a fauna está precisando de assistência, né? Que o meio ambiente sozinho não está conseguindo ter um equilíbrio", comentou a veterinária Grasiela Pacheco, do Naturatins.

Seca prolongada
A seca na bacia do rio Araguaia tem causado grandes consequências na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. A força das águas desapareceu e caminhonetes conseguem atravessar a seco de uma margem a outra. Os índios que vivem no local não estão mais encontrando peixes para sobreviver.
"Nós estamos passando assim um pouco de necessidade nesses assuntos de caça e pesca. Porque não tem água. Não tem mais e os peixes vão diminuindo", disse Edmar Kuriawá Carajá, líder de uma aldeia da região.
Esse é o terceiro ano consecutivo de estiagem severa no Tocantins. Na capital, foram quase cinco meses, 140 dias, sem chuva. A previsão é chover abaixo da média até dezembro em todo o no estado. Onze cidades estão em situação de emergência e 27 em alerta, por causa da falta d'água. (g1)

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