Sob forte pressão, Aécio indica que vai deixar a presidência do PSDB

A resistência de Aécio Neves em deixar definitivamente a presidência do PSDB levou o senador Tasso Jereissati a São Paulo para conversar com dois dos principais líderes tucanos: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente Fernando Henrique.
Jereissati narrou aos dois como a reunião de quarta-feira (18) no Senado foi constrangedora. Senadores do PSDB, que no dia anterior votaram para Aécio Neves retomar as funções parlamentares, cobraram dele a renúncia à presidência do partido, da qual está afastado desde maio.
Para estes senadores, é a saída para evitar mais desgastes ao partido, que quer se reorganizar o quanto antes para enfrentar as eleições do ano que vem. Aécio deixou a reunião antes do fim sem atender aos apelos.
Coube a Jereissati falar por todos. E, mais uma vez, disse que Aécio precisa se afastar definitivamente do comando do partido. Tasso espera que o senador
mineiro tome uma decisão na semana que vem.
“Evidente que o senador Aécio tem plena consciência da crise que nós vivemos, da crise que o próprio partido vive. Tem consciência dos deveres dele para o pais, dos deveres dele para a história dele, dos deveres dele com o partido, e vai fazer ele mesmo uma avaliação de todos os acontecimentos”, afirmou Jereissati.
O PSDB se mantém dividido sobre a questão. O governador de Goiás, Marconi Perillo, e o prefeito de São Paulo, João Doria, afirmaram que Aécio já está licenciado e que as eleições internas do partido estão marcadas.
“O meu entendimento é que nós temos que focar na eleição do diretório nacional do PSDB, que vai acontecer daqui a 40 dias. Não faz sentido você buscar outra alternativa senão pelo voto. Se você tem indignação, se você tem protestos, se tem posições contrárias, manifeste isso na eleição do PSDB, que acontece dentro de 40 dias”, disse Doria.
No período em que estava fora do Senado, Aécio Neves fez apelos a senadores de todos os partidos para que dessem a ele o direito de se defender. Argumentava que era preciso ter o mandato de volta para exercer plenamente a defesa no cargo de senador. Agora, senadores estão cobrando que ele, então, se explique no Conselho de Ética.
Há um pedido do PT no Conselho de Ética de abertura de processo de cassação do mandato de Aécio por quebra de decoro parlamentar, baseado nas gravações feitas pelo dono da J&F, Joesley Batista, em que o senador pede R$ 2 milhões. O caso está na Advocacia-Geral do Senado há duas semanas para dizer se o pedido seguirá adiante.
“O primeiro passo é essa admissibilidade. Se houver admissibilidade, já é uma sinalização de que deva realmente o conselho analisar e dar a oportunidade ao próprio senador de oferecer a sua defesa para que haja realmente um debate bem sugestivo e positivo em relação a isso”, explicou o vice-presidente do Conselho de Ética, senador Pedro Chaves (PSC/MS).
Depois do parecer da Advocacia, o pedido volta ao Conselho de Ética. O presidente do conselho, João Alberto, do PMDB, terá cinco dias para decidir se dá seguimento ao pedido.
Em junho, João Alberto mandou arquivar o primeiro pedido de cassação de mandato contra Aécio, feito pelo PSOL e pela Rede.
O líder da minoria, senador Humberto Costa (PT/PE), reclama do atraso na análise desse segundo pedido. Humberto Costa disse que o Senado cobrou do Supremo autonomia para decidir sobre punições políticas aos senadores, o que é mais uma razão para a Casa investigar o caso.
”Como tal cabe ao Senado Federal, por meio do Conselho de Ética, estabelecer a investigação de se houve ou não essa quebra do decoro. Nós entendemos que isso aconteceu e precisamos dar uma resposta à sociedade, já que o Supremo deu ao Senado a possibilidade de ele próprio aplicar qualquer tipo de sanção ao senador, e temos que aqui especificamente julgar se houve ou não quebra do decoro”, afirmou Humberto Costa.
A assessoria do presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto Souza, negou que exista atraso no processo do senador Aécio Neves.
A defesa de Aécio disse que afirmações de criminosos confessos, em busca de benefícios de uma delação, não devem ser tratadas como prova e que a investigação irá demonstrar que os R$ 2 milhões oferecidos por Joesley Batista se tratavam de um empréstimo, que não envolveu dinheiro público ou qualquer contrapartida. O senador não quis se manifestar sobre a presidência do PSDB. (globo.com)

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