Bispos pedem moratória de 10 anos do cerrado

A moratória de 10 anos para o bioma cerrado é uma das sugestões apresentadas na carta elaborada pela Igreja Católica, por meio dos bispos da bacia do rio São Francisco. O lançamento foi no primeiro domingo do advento de Natal, nas 16 dioceses situadas na região e que abrangem, além da Bahia, mais quatro estados.
O documento foi elaborado em um encontro realizado em novembro na cidade de Bom Jesus da Lapa (a 777 km de Salvador), que reuniu, além dos bispos, membros das pastorais, estudiosos e especialistas no assunto, bem como representantes de movimentos sociais que atuam na região.
“Diante do processo de morte em que este rio se encontra e das consequências que isso representa para a população que dele depende, assumimos de forma colegiada a defesa do Velho Chico, de seus afluentes e do povo que habita sua bacia”, escreveram os religiosos, justificando a iniciativa.
Entre as causas enumeradas na carta, eles citaram o sumiço de nascentes e pequenos afluentes, aumento da demanda pela água “sem levar em conta a
capacidade real dos rios”, a destruição das matas ciliares, a decadência da biodiversidade e o aumento dos conflitos.
De acordo com os bispos, “as empresas sempre fazem prevalecer seus interesses e o estado acaba por ser legitimador de um modelo predatório de desenvolvimento”, criticaram. Para eles, “tudo isso vem gerando a destruição lenta e cruel da biodiversidade do Velho Chico e, consequentemente, sua morte gradativa”.
O bispo de Barreiras, dom Josafá Menezes da Silva, salientou que no encontro também foi colocado em pauta, ampliar o debate com as comunidades e sensibilizar o maior número possível de pessoas.
Por fim, declararam a defesa do “Repouso Sabático” para os biomas que integram a bacia “para que possam se reconstituir”. Em especial, pediram moratória de uma década para o cerrado, período em que não seria permitido nenhum projeto de desmate nos biomas “que alimentam o rio e dele se alimentam”.  (atarde)

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