Crescimento desordenado das cidades é fator determinante na poluição das praias

O final de semana em Salvador só poderia ser de praia para a enfermeira Livia Almeida. De férias na cidade, ela foi curtir com a família tudo que o verão soteropolitano tem a oferecer em Jaguaribe. O único problema dessa equação é que parte da praia escolhida, até a última quarta-feira (10/1), estava imprópria para banho por conta de uma manutenção na rede de esgoto do local, iniciada após um rompimento de uma tubulação.
Apesar da ocorrência pontual registrada em Jaguaribe na última semana, os números de praias que são consideradas inapropriadas para o consumo recreativo, principalmente nas zonas urbanizadas, são maiores do que se imagina. Na alta estação período que se inicia em dezembro e vai até fevereiro, cidades litorâneas como Salvador, em que residentes e turistas frequentam as várias praias da cidade, o banho em um local impróprio pode causar sérios
problemas de saúde, como infecções urinária e intestinal.
A questão embora não preocupe parte da população é motivo de estudo contínuo, desde 2011, realizado pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) por meio de monitoramentos semanais que avaliam a qualidade das praias de toda a costa baiana. Somente nas últimas quatro semanas, já houve períodos em que 20 praias de Salvador foram consideradas impróprias.

Impróprias porém não para sempre
O fato do mar de uma praia ser considerada inadequada para banho não significa que ela não poderá ser utilizada nunca mais. Elas não são impróprias, mas estão temporariamente impróprias.
Geralmente, uma praia é considerada inapta se o valor obtido na última amostragem for superior a 2000 Escherichia coli (tipo de bactéria) ou quando mais de 20% das amostras coletadas em cinco semanas consecutivas apresentar resultado superior a 1.000 coliformes fecais ou 800 Escherichia coli por 100 mL de água.
O processo de determinação de balneabilidade segue padrões técnicos do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e só pode ser classificada a partir da quinta semana de análise, segundo Eduardo Topázio, diretor de Águas do Inema. “São parâmetros bacteriológicos que consideramos como indicadores de poluição para questões de balneabilidade e que são adotados em diversos lugares do mundo”, afirma.
O monitoramento na Bahia é realizada atualmente em 121 pontos, distribuídos em toda a costa litorânea. As amostras de água para analises são coletadas semanalmente, no período da manhã em locais com maior concentração de banhista.
Praia limpa e sem mau cheiro não é sinônimo de mar adequado, apesar da análise contínua, muitos usuários ignoram o alerta sobre a qualidade das águas em virtude da boa aparência da região. Outro fator que contribui na utilização de praias impróprias para banho é a ausência de sinalização com placas para alertar os banhistas.
Foi a falta de informação que levou Livia e sua família a tomar banho em Jaguaribe no último final de semana. “Essa deveria ser uma informação primordial, que deveria está disponível em algum tipo de totem, como quando divulgam a temperatura na cidade. Assim como dizem “28°”, deveria se informar que hoje tal praia está própria ou imprópria, porque aí as pessoas entrariam no mar sabendo dos riscos que correm.”, pontua.

Como melhorar?
As causas da poluição das praias urbanas é reflexo do crescimento desordenado das cidades. A grande quantidade de lixo produzido, a falta de cobertura total de saneamento básico e a poluição dos rios e córregos urbanos são os principais fatores que contribuem para o fenômeno.
De acordo com Topázio, é necessário repensar o planejamento da cidade e impedir a ocupação de áreas próximas as margens dos rios e canais para revitalização do sistema. “O que contamina as praias não vem dos emissários submarinos. Vem da terra, ou seja da cidade, dos resíduos sólidos que são lançados nas ruas e se acumulam nas drenagens pluviais que atraem muitos roedores e da poluição dos rios que sofrem com as ocupações irregulares próximas a ele”, conclui.
No período em que o tempo estiver chuvoso, as praias podem ser contaminadas por arraste de detritos diversos, carregados das ruas através das galerias pluviais. Por isso o melhor é evitar entrar no mar nas primeiras 24 horas após o fim de chuvas intensas. Além disso, o órgão alerta que, em dias de sol, o banho próximo à saída de esgotos, desembocadura dos rios urbanos, córregos e canais de drenagem. (aratuonline)

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