Justiça mantém prisão preventiva de 159 suspeitos de envolvimento com a milícia no Rio

Depois de mais de 15 horas, a Justiça determinou, na madrugada desta quarta-feira (11), durante audiência de custódia, que as 159 pessoas que foram detidas numa festa em um sítio, em Santa Cruz, no sábado (7), continuem presas. Para a polícia, todos eles têm ligação com milicianos que atuam na Zona Oeste do Rio. Os detidos na Operação Medusa estão no Complexo de Gericinó, em Bangu.
Parentes alegam que muitos são inocentes e passaram o dia e a madrugada esperando a decisão na porta do Tribunal de Justiça e se uniram para fazer uma
oração.
“Não contratei advogado, porque meu marido é inocente, eu ia contratar ele pra defender ele de que? ele foi nesse pagode, pra assistir esse show, só isso. Agora tô indo pra casa, sem resposta, sem saber o que fazer. E amanhã eu vou na empresa onde ele trabalha e vou falar que ele tá preso. Eu esperei até hoje porque tinha esperança de amanhã ele assumir o plantão”, explicou a parente de um dos presos.
A polícia afirmou que todos os presos têm envolvimento com a milícia da Zona Oeste do Rio. Os detidos estavam num show de pagode, num sítio em Santa Cruz.
Os 159 presos foram ouvidos em grupos de 20 de cada vez, por videoconferência. Isso para evitar o deslocamento de tanta gente pela cidade.
A audiência de custódia terminou por volta das 3h30. A decisão da juíza Amanda Ribeiro Alvez manteve a prisão preventiva de todos.

Escutas telefônicas
Escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça revelam detalhes das extorsões do maior grupo de milicianos do estado do Rio de Janeiro. Em um dos diálogos captados nas escutas, o funcionário de uma cervejaria conversa com um miliciano sobre o acerto do pagamento do "arrego", como é chamada a propina que o grupo recebia, para liberar uma entrega de mercadoria.

Veja um trecho da conversa:

Funcionário da cervejaria: — Eu tô com a minha carga pra ser entregue hoje, não tô podendo entregar porque a gente não entregou o arrego (propina) ainda.

Miliciano: — O cara combinou comigo de entregar o arrego (propina) hoje, pode entregar, cara. Não tá proibido não, pode entregar.

Funcionário: — Deixa eu lhe explicar: o arrego, se ele disse que vai ser entregue hoje, ele errou. Eu vou te entregar o arrego na terça-feira, porque eu consegui a liberação ontem. Porque ele só queria liberar o local São Paulo, só que São Paulo não sabe o que tá acontecendo no Rio, entendeu? Sabe como são os caras de lá. Aí eu consegui ontem. Eu fui numa reunião pra resolver alguns assuntos e um deles foi este. O meu GGU, o gerente geral, me liberou de te entregar o arrego, que eu vou tirar na segunda. Tiro o pedido na segunda e te entrego na terça de manhã.

Miliciano: — Eu vou liberar aqui, vê se me entrega isso na terça-feira, mano. Porque o patrão... (ininteligível)

Entre os presos da megaoperação deste fim de semana, havia dois militares do Exército, um da Aeronáutica e um bombeiro. (g1)

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