Presidente do Vitória abre o jogo, reconhece erros e promete ajustes no clube

Da eleição até então, o Vitória passa por um profundo processo de reformulação que ainda não trouxe resultados imediatos ao clube. Para o presidente rubro-negro, Ricardo David, o reflexo dentro de campo ainda não aconteceu, mas há a crença de que os frutos serão colhidos em breve. Mesmo assim, ele reconhece que erros aconteceram no ano, mas foram identificados e corrigidos.

“Fizemos tudo certo? Não, somos humanos. Como seres humanos, nós erramos sim. O importante é que a gente está identificando o que a gente precisa consertar e tomando essas medidas. A pior coisa é quando identificamos erros e não se conserta”, afirmou, em entrevista ao Jornal da Metrópole. Para driblar a crise e a desconfiança, o Leão tenta fazer diferente e não repetir os erros do passado. “Você vai ter uma oportunidade de fazer melhores contratações e trazer jogadores com performance mais bem definidas e consagradas a partir do
momento em que você dispõe de recursos”, diz.

Questionado sobre os maiores problemas do Leão, o dirigente elencou os principais desafios desde que assumiu o comando. De lá para cá, a equipe foi desclassificada das copas do Brasil e do Nordeste, amargou o vice-campeonato baiano e coleciona insucessos na temporada.
Para Ricardo David, houve a necessidade de se garantir um avanço, em um primeiro momento, nos quesitos administrativo e financeiro. "Não dá para avaliar uma gestão só pelo futebol. O futebol é uma consequência de outras áreas, principalmente a financeira. Você vai ter uma oportunidade de fazer melhores contratações e trazer jogadores com performance mais bem definidas e consagradas a partir do momento em que você dispõe de recursos para isso", declarou.
Em balanço apresentado ao Conselho Deliberativo nesta semana, o clube apresentou os relatórios de demonstração financeira. No primeiro trimestre de 2017, o Leão tinha em caixa R$ 30,5 milhões. No segundo trimestre do mesmo ano, o valor caiu para R$ 17,6 milhões. Já no montante acumulado nos primeiros seis meses deste ano, foram registrados R$ 9,2 milhões no primeiro trimestre e R$ 7,5 no segundo.
O balanço também aponta que, durante a atual gestão, houve um aumento significativo nas receitas do clube. "É um balanço positivo sobre a forma como administramos o Vitória com essa responsabilidade e já começa a se refletir em números positivos. Isso adianta alguma coisa? Sim. Ganha jogo? Não, mas ajuda no momento em que você tem dificuldade de caixa e vai ao mercado, o mercado analisa a sua gestão", declarou o presidente.

Contratações polêmicas
Na última edição do Jornal da Metrópole, a reportagem trouxe o balanço de jogadores contratados e reprovados da atual gestão e pela torcida. O cartola afirmou estar ciente de que, passado o período em que os atletas vestiram a camisa rubro-negra, alguns deles não fizeram por merecer continuar no Vitória e que, por isso, acabaram mandados embora. “Isso é natural, óbvio que quando você olha depois, você tira melhor as conclusões. Não tem conclusão melhor do que o fato acontecido”, diz Ricardo David.
"Diante de uma situação que você não tem recursos financeiros você encontra no mercado uma oportunidade de compor elenco. Não se monta um elenco com 33 jogadores titulares. Nenhum clube faz isso, é muito caro", ressaltou o dirigente. Em todo o ano de 2018, o rubro-negro contratou 24 jogadores, um a menos que o ano anterior, quando chegaram 25 atletas.

Em busca de um líder
Alçado ao cargo de treinador interino até o jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre, João Burse conta com o prestígio da diretoria. No entanto, Ricardo David reforça que o clube segue em busca de um nome com mais experiência na Série A. “O Burse é um treinador que tem todo apoio nosso, tem todo um espaço e um projeto para ser desenvolvido no Vitória. Se não for esse o momento e a hora de efetivá-lo, seguramente ele vai continuar”, declarou o presidente, ao deixar claro que o perfil já está traçado: “A gente não pode pegar cada treinador que chegue aqui e plantar um modelo diferente. Você tem que buscar treinadores compatíveis com a nossa identidade. Hoje isso eu não abro mais mão”.
Ainda de acordo com o presidente, nomes especulados pela imprensa, como Abel Braga, Roger Machado ou Jair Ventura, não foram procurados pelo Vitória. "O mercado vai mudando ao longo do tempo, você tem treinadores do nível de Abel Braga, Roger Machado ou Jair Ventura que, por opção própria, não querem treinar clubes no meio de temporada. Não foram nem tentados. Eles já se manifestaram previamente de que não queriam. Abel tinha uma declaração pública de que ele teria sido procurado pelo Palmeiras e disse que iria se dedicar à família neste momento. Você não procura um treinador que assume isso publicamente. Deixa de ter mercado e passa ser uma busca", afirmou.

Presidente lamenta fim do time de NBB: 'Não houve negociação'
Um dos principais assuntos que geraram polêmica no clube foi o fim da parceria com a Universidade Salgado de Oliveira (Universo) para a manutenção do time de basquete. Segundo o presidente, sequer houve negociação com os dirigentes da instituição de ensino. "Em agosto do ano passado, a relação foi alterada e modificadas as bases desse relacionamento onde o Vitória passou a assumir um dispêndio financeiro que não tinha. Não havia compromisso financeiro do Vitória. Mas, por acertos da gestão que aqui estava, o Vitória passou a ter obrigações", disse o dirigente.
Ao reconhecer a dívida, ele confirma que chamou representantes da Universo para discutir um novo acordo, mas não obteve resposta. "O Vitória passou a tirar recursos do futebol para destinar ao basquete. Mas, pior do que isso, foi feito um compromisso que não foi honrado. Foram pagas duas parcelas e depois não se pagou mais. Quando assumimos, encontramos três parcelas atrasadas. Assim como fizemos com várias outros compromissos que o Vitória não tinha honrado, a Universo era mais um", declarou.
"Nunca sentamos com a Universo, a Universo nunca aceitou e nem veio aqui conversar conosco. Porque, nesse bojo, queríamos acertar o passado e deixar claro o que iríamos honrar o que tem para frente, já que é um contrato assinado. O Vitória honrou todos, não é com a Universo que não iria honrar", finalizou.
Ainda de acordo com o presidente, o clube tem objetivo de continuar na modalidade, mas agora com time próprio. O Vitória deve submeter ao Ministério dos Esportes um projeto para ter recursos para viabilizar a criação da equipe. A ideia é que o rubro-negro dispute a Liga Ouro, competição de acesso para o NBB, equivalente à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro de Basquete. "Para isso precisamos de recursos específicos. Dependemos do aceite, mas paralelo a isso buscamos patrocínio. Se alguém não tem recurso para patrocinar o futebol do Vitória, nós temos uma propriedade interessante, que foi abraçada pela torcida e que é uma coisa que tem visibilidade", disse.

Projeto para ginásio próprio pode sair do papel no ano que vem
Promessa de campanha de Ricardo David durante as eleições, o ginásio próprio do Vitória deve sair do papel no ano que vem. A ideia é fomentar modalidades esportivas que o clube já tem, mas viabilizaria a realização de eventos e monitoramento de jovens atletas. "Nós não temos hoje um controle ou uma associação constituída. Ter um ginásio próprio permitiria que tivéssemos, sob nosso controle, através de programas, controles e campeonatos, a oportunidade de observação e sinalizar ao mercado que o Vitória tem interesse e acredita que daí podem sair potenciais atletas para a nossa divisão de base", disse. (metro1)

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