Abstenções e votos nulos mostram insatisfação

Dos 10.392.015 eleitores inscritos no Tribunal Regional Eleitoral na Bahia (TRE), 20,74% não compareceram aos locais de votação. Desses, mais de 500 mil tiveram os títulos cancelados por terem se submetido ao processo de biometria, e não puderam votar. Mas além dos votos computados como válidos, outro fator chama a atenção dos cientistas políticos: o percentual de 19,01% de votos anulados ou em branco.
Com isso, entre as abstenções, os votos brancos e os que foram anulados pelos eleitores, apenas 6.749.554 votos foram computados para os candidatos a presidente, senadores, governadores e deputados federais e estaduais. O percentual de votos brancos e nulos este ano foi superior ao verificado em 2014, quando o índice chegou a 12,65%, Naquele ano os votos válidos foram 6.030.384 contra 6.749.554 este ano.
Essa situação chamou a atenção do professor e pesquisador Joviniano Neto, sociólogo e cientista político pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), que analisou a situação como reflexo do profundo desgaste que a classe política vem sofrendo nos últimos anos, mas que foi acentuado nos meses que antecederam as eleições. Para ele, a essa conjuntura, no caso da Bahia em específico, se juntaram as condições em que foram realizadas as votações, com a introdução do sistema de cadastramento biométrico e as filas na maioria das seções eleitorais.
O professor citou os inúmeros casos registrados em Salvador, onde até uma hora depois do encerramento da votação, ainda haviam seções eleitorais atendendo eleitores. E do fato que em muitas seções, os equipamentos que identificavam os eleitores pelo sistema biométrico, funcionaram de forma lenta e em alguns casos sequer reconhecendo as digitais dos eleitores. “O eleitor que já vinha num processo de revolta com o os atuais políticos, e por isso mesmo se chateava por ser obrigado a votar, ainda enfrentou esses problemas. E por isso ou desistiram de votar ou, depois de aguentar várias horas nas filas, resolveu externar seu protesto na forma de voto em branco ou nulo”, disse.

Plebiscito
No Brasil, segundo os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o índice de abstenções chegou a 20,32%, o que significou 29.937.375 eleitores, de um total de 147. 306.295 eleitores cadastrados. A esses números se somaram 3.106.916 votos nulos e 7.206.162 votos em branco. Esse somatório fez com que só 107.048.272 votos fossem considerados válidos e redistribuídos para os candidatos.
O sociólogo e cientista político, professor Joviniano Neto, disse que nos últimos anos o eleitor brasileiro vem cada vez mais se conscientizado das suas preferências, não apenas na definição do voto em determinado candidato, mas na aceitação ou rejeição do atual sistema político. “Ele já vai para as eleições um tanto quanto decepcionado com os atuais políticos. E quando se depara com as dificuldades para exercer a obrigatoriedade do voto, busca como alternativa anulá-lo ou simplesmente ou deixá-lo em branco”, explicou.
Joviniano ainda diz que o Brasil ainda pode ter um índice de abstenção no segundo turno ainda maior que o verificado no último domingo, que foi de 20,32% em todo o Brasil e de 20,74% na Bahia. Isso porque em 13 estados, incluído a Bahia, a eleição para governador foi decidida em primeiro turno. “Isso faz com que não haja o mesmo empenho do eleitor em comp0arecer às urnas, sabendo que poderá enfrentar os mesmos problemas verificados no primeiro turno”, disse.
Por sua vez, o professor reforçou a tese de um plebiscito no segundo turno, afirmando que a polarização, a princípio, aumenta , as chances de um maior comparecimento dos eleitores às urnas, principalmente nos estados onde existem ainda disputas para o cargo de governador. Contudo, destaca que as convicções antecipadas de vitória dos eleitores em seus respectivos candidatos, serão determinantes para uma maior ou menor índice de abstenções e de votos nulos.
Tribuna da Bahia

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