Nos últimos 4 anos, quase metade dos projetos de Isidório na AL-BA foram de cunho religioso

Foto: Sandra Travassos / AL-BA
Criar o dia do pastor evangélico, exigir nas escolas públicas e privadas da Bahia o ensino do criacionismo , e proibir ofensas a religiões em manifestações. Todas essas ideias de cunho religioso foram propostas pelo deputado estadual Pastor Sargento Isidório, no último mandato, como Projetos de Lei para a Bahia na Assembleia Legislativa (AL-BA). 
Eleito o deputado federal mais bem votado no último domingo (7) (veja aqui), o Pastor que se proclama ex-gay e ex-aidético, após se converter evangélico, envolveu a sua religião em quase metade das leis propostas nos últimos quatro anos. 
Dos 39 Projetos de Lei apresentados pelo sargento no atual mandato, pelo menos 15 envolvem diretamente religião. Outros dois cobram direitos para heterossexuais, como o texto que defende a criação do Dia Estadual do Orgulho Heterossexual. Há também um projeto que pretendia garantir a proibição da busca por temas ligados à “ideologia de gênero” em computadores de escolas públicas do estado. Mesmo que não cite qualquer religião, os projetos ligados a discussão de gênero fazem parte da já conhecida cruzada do político-pastor em defesa da "família tradicional" no Brasil. 

Quando não envolveu política com religião, como em outros textos em que propôs a criação do dia do pastor evangélico e o dia da esposa do pastor evangélico, Isidório escreveu, nos últimos anos, leis sobre mobilidade, segurança e isenção de tarifas para pessoas em situações vulneráveis. 
Em 2015, o presidente estadual do Avante sugeriu que a Bahia não cobrasse o valor da passagem de ônibus de alunos do ensino fundamental e médio em Salvador. Também em 2015, Isidório escreveu uma lei que isentaria o pagamento de pedágio para pessoas portadoras de doença grave ou em tratamento fora do seu domicílio e outra que proibiria a prática de preços abusivos na venda ou aluguel de carros-pipa. 
“Às vezes a imprensa só pauta os meus projetos polêmicos, mas eu tenho como luta antiga a defesa da federalização da polícia estadual, como forma de aumentar os salários da categoria”, disse o pastor, em entrevista ao Bahia Notícias. “Mas é claro que eu me preocupo com a religião, quem me elegeu primeiro foram os cristãos”, exaltou o deputado, que ainda se disse orgulhoso de ter aprovado, no início do mandato, uma lei que transformou a Bíblia em bem imaterial do Estado da Bahia. “Só aqui no estado temos isso”, comemorou. 
No fim da carreira política como deputado estadual, pelo menos por enquanto, o coordenador do projeto “Dr. Jesus”, que oferece tratamento a dependentes químicos, ainda tenta emplacar um último projeto de lei religioso: entregar o estado da Bahia à Santíssima Trindade. 
Bahianoticias

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