Cuidador de Idosos é a profissão que mais cresce no Brasil

Conforme recente pesquisa divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com a Confederação Nacional de Comércio (CNC) apontou que, a ocupação de ‘Cuidador de Idosos’ é a que mais cresceu em uma década no país. Entre 2007 e 2017 a profissão atingiu o primeiro lugar no ranking em criação de postos de trabalho. Somou 28.788, com 547% de aumento. A de Professor de Nível Superior na Educação Infantil (0 a 3 anos) chegou a 33.878 com 398%; enquanto a de Preparador Físico com 22.693 com 327% de crescimento ficou no terceiro lugar entre as 20 profissões que deslancharam no período.

ENVELHECIMENTO
“Isto se deve ao envelhecimento da população brasileira em ritmo acelerado. É um processo natural, que apresenta um desafio único para todos os setores da sociedade. E observe que os dados do MTE e CNC não consideram trabalhadores informais, somente os com registro em carteira ou estatutários. Mas deve ter muita gente atuando nessa área na informalidade", antecipa a coordenadora do Curso Profissionalizante de Cuidador de Idoso na Se7e Centro Tecnológico, Flavia Lazaro. Para chegar a este veredicto, os pesquisadores se debruçaram em 2,6 mil profissões inscritas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
A professora e fisioterapeuta, que atua, na unidade do bairro de Brotas, em Salvador, acrescenta: “A família que pode e quer cuidar do seu idoso, não deve deixar passar a oportunidade em contratar um profissional capacitado – que participa de cursos profissionalizantes. Ele terá o comprometimento para além do cuidado relacionado à saúde e ao bem-estar do idoso, realizando o elo entre o assistido, a família e os serviços de saúde ou da comunidade”, relata Flavia que está com uma turma de 25 alunos em sala de aula até o próximo mês de dezembro. “O ‘Cuidador de Idoso’ irá observar possíveis alterações no estado de saúde e bem-estar, além de promover atividades de entretenimento, visando sempre a qualidade de vida do seu assistido”, diz.

PROMISSOR
É imprescindível destacar um aspecto promissor dentro desse mercado profissional, a alta empregabilidade. O perfil de quem desempenha esta tarefa está registrado na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A orientação é de que devem ser contratados maiores de idade, que fizeram cursos livres entre 80 e 160 horas e que demonstrem empatia e paciência.
”Nossos alunos, por exemplo, têm idade entre 30 e 50 anos. São pessoas que já atuam na área, mas que sentiram a necessidade de receber uma capacitação profissional. As nossas aulas são práticas, na sua maioria, e ensinam: banho de leito, transferências para locomoção (cadeira de rodas para a cama; da cama para o andador, etc).. Além dessas temos aulas sobre sinais vitais (pressão arterial e glicemia). Procuramos oferecer uma capacitação de boa qualidade”, assegura.
Aqui em Salvador, o “Cuidador de Idosos’ tem sido contratado, geralmente, como acompanhante do idoso que gosta de ser independente. “Ele acompanha o assistido ao banco, ao shopping e até às consultas com o geriatra. Quando as famílias buscam este tipo de profissional, o idoso geralmente já ultrapassou dos 70 anos de idade. No atendimento temporário – com plantão de 12 horas -, o valor fica entre R$100 a R$150 reais. À noite, exige um acréscimo do adicional noturno. Já para contratação mensal, o valor cobrado fica na base do salário mínimo e os benefícios exigidos por lei”, explica .

GRUPO MAIOR
Recentes pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o grupo de idosos de 60 anos ou mais será maior que o grupo de crianças com até 14 anos já em 2030. Em 2055, a participação de idosos na população brasileira será ainda maior que a de crianças e jovens com até 29 anos. “A importância da existência de profissionais preparados e comprometidos com a saúde e bem estar dos idosos será de fundamental importância”, argumenta.
O crescimento e a formalização desse mercado profissional esbarram na falta de regulamentação e na ainda escassa capacitação adequada dos profissionais. Como a ocupação ainda não foi regulamentada como uma profissão, não há regras claras sobre a formação mínima que deveria ser exigida nem qual seria o conteúdo obrigatório dos cursos. Um projeto de lei tramita na Câmara para criar e regulamentar a profissão de cuidador não só de idosos, mas de crianças e de pessoas com deficiência ou doença rara. Ele aguarda designação do relator. Há também um projeto de lei do Senado para determinar as atribuições de quem desempenha essa função.

CULTURA
Flávia Lázaro lembra que, em suas aulas e também junto aos professores, procura incutir a cultura cientifica no trabalho. “Eu peço a eles que valorizem e incentivem a autoestima dos idosos e, principalmente, a integração social dele com os familiares e amigos, respeitando, é claro, a individualidade e privacidade. Afinal, ser ‘Cuidador de Idosos‘ não é apenas ter cuidado com o físico do assistido, mas também com o lado psíquico. O profissional deve ficar atento à alimentação e ao risco de queda e tem de saber lidar com situações da vida de um idoso, que pode estar confuso e ter dificuldade para caminhar”, finaliza.
Hoje, é sabido, que a população brasileira mantém a tendência de envelhecimento e que atingiu a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios, divulgada pelo IBGE. Em 2012, a população com 60 anos ou mais era de 25,4 milhões. Os 4,8 milhões de novos idosos em cinco anos correspondem a um crescimento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56% dos idosos), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).



*Tribuna da Bahia

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