Impotência sexual atinge 15 milhões de brasileiros

Verdade ou não, muitos homens afirmam veementemente que nunca “negaram fogo” na hora H. Mas dentro de quatro paredes o problema da impotência sexual é mais comum do que se imagina. Um estudo divulgado no ano passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que 15 milhões de brasileiros sofrem com a disfunção erétil. Os dados correspondem a 30% da população masculina economicamente ativa do país.
“A disfunção erétil é subjetiva e, por ser traumática para o homem, ele normalmente não sai dizendo por aí que tem. Até no consultório eles têm dificuldade para revelar ao médico”, explica Augusto Modesto, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia – Secção Bahia (SBU-BA).

De acordo com o urologista, as causas que levam à impotência podem ser de natureza orgânica, psicológica ou mista. E se você pensa que só os idosos estão passíveis de “broxar” na cama, está enganado.
O especialista explica que a disfunção erétil de ordem psicológica normalmente afeta homens mais jovens, no início da vida sexual, ou que possuem várias parceiras. Fatores como stress, depressão, ansiedade, insegurança e medo de não satisfazer a companheira podem desencadear a impotência.
Outro problema sexual que pode surgir nesse contexto é a ejaculação precoce, segundo o médico. O homem pode alcançar o gozo mesmo sem ter começado a penetrar. Já a impotência sexual de origem orgânica, está associada à doenças como hipertensão, colesterol alto, obesidade, sedentarismo ou uso de drogas lícitas e ilícitas. Consumir bebida alcoólica em excesso e utilizar remédios para diminuir a ansiedade, os chamados ansiolíticos, por exemplo, prejudicam a ereção.
O especialista pontua, ainda, que algumas cirurgias na região pélvica rompem os nervos responsáveis pela ereção e, por isso, também podem provocar impotência sexual. “Cerca de 30% a 40% dos homens que fazem cirurgia de câncer de próstata vão ter disfunção erétil. Nós damos o prazo de um ano para avaliar se o paciente vai recuperar a função ou não”, pontuou Modesto.
Na avaliação do diretor da SBU-BA, muitos casos de disfunção erétil de natureza psicológica tendem a ser resolvidos pelos próprios pacientes. No entanto, há situações nas quais o homem passa anos sofrendo com o problema e só depois busca o apoio de um especialista para tratá-lo. Nesse intervalo, o paciente também pode ter adquirido doenças que são fatores de risco para o desenvolvimento da patologia.
É comum que homens de meia idade sejam diagnosticados com impotência sexual oriunda da combinação de fatores psicológicos e orgânicos.

Casal
Os especialistas afirmam que a disfunção erétil é um problema que deve ser encarado pelo casal e não exclusivamente pelo homem. “Os melhores resultados de tratamentos são aqueles em que a parceira está junto, entende a situação”, reforçou Augusto Modesto.

Tratamento
O tratamento para a doença normalmente é feito com uso de drogas orais, injetáveis, sessões de psicoterapia e implante de próteses penianas.“Infelizmente, temos muitos colegas que hiper indicam o implante de próteses. Não é o certo. A gente precisa saber que elas são indicadas em último caso”, criticou o médico, destacando riscos como rejeição, infecção e impossibilidade de utilizar outro método farmacológico no tratamento da impotência, caso o acessório precise ser retirado e não seja substituído.

Automedicação
Modesto também lembrou dos perigos associados ao uso de estimulantes sexuais sem prescrição médica, como arritmia cardíaca e Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Inclusive, se ele tiver alguma cardiopatia grave não diagnosticada, pode ter um infarto fulminante e morrer na hora. Quem teve infarto ou operou o coração precisa ser liberado pelo cardiologista”, alertou.
O aconselhável é que todo homem com impotência sexual procure um urologista para investigar o tipo de disfunção erétil que possui e seguir as orientações deste especialista para tratar o problema.



*Tribuna da Bahia

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