Morre Mestre Valdir Lascada, um dos criadores do Samba-Reggae

Foto : Divulgação
Morreu na terça-feira (1), o mestre de percussão Valdir Lascada. Ex-diretor de bateria de blocos como Os Corujas e Olodum, ele é responsável por inúmeras inovações nos ritmos afro-baianos, como o uso de duas baquetas nos surdos de dobra: a dobra de duas que faz o famoso e inconfundível tugu-dugu-dum.
Mestre Valdir Lascada foi o primeiro regente da Banda Olodum, cargo que ocupou entre 1979 e 1982. Ali, de acordo com o depoimento de Mestre Jackson, ele traduziu pela primeira vez o ritmo reggae no contexto timbrístico dos tambores. "Djalma Luz, junto com Bujão, vai à quadra do Olodum e canta a música 'Coração Rastafari', que hoje todo mundo conhece pois virou um grande hit tanto de Lazzo Matumbi quanto de Margareth Menezes", conta. 
E prossegue: "Ele, Djalma, vai cantar isso numa quadra de percussão e, naquele momento, esse regente chamado Valdir Lascada tem a sensibilidade de fazer uma célula de reggae nos tambores. Ele faz a clave como se fosse a guitarra, cá-cá, cá-cá… nos repiques, enquanto o surdo fazia dudududu… Mas, ele não teve nenhuma repercussão de dizer que criou o samba-reggae. Ele fez a clave do reggae e aquilo se passou".

O músico passou também pelo bloco afro Ilê Aiyê, Os Ritmistas do Samba, Neto Balla e outras formações. Em 2017, Valdir Lascada foi homenageado pelo grupo Tambores do Mundo no "Encontro dos Mestres" realizado no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo; assim como na "Sessão Especial em Homenagem aos Batuqueiros, Ritmistas e Percussionistas da Bahia", realizada na Câmara Municipal de Salvador, por iniciativa do vereador Sílvio Humberto. 
A essa sessão solene ele não pode comparecer justamente por causa dos problemas de saúde que agora se agravaram e o levaram a óbito. Mestre Valdir Lascada foi também um dos principais consultores-especialistas do "Afrobook" lançado em março do ano passado. O sepultamento acontecerá nesta quarta-feira (2), às 11h, no cemitério Quinta dos Lázaros.
Metro1

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