Bahia apresenta piores resultados em vacinas para menores de um ano

A cobertura de vacinação na Bahia ficou aquém do esperado pelo Ministério da Saúde (MS) ao longo do ano de 2018. Todos os tipos de vacinas destinadas à crianças menores de um ano ficaram abaixo da meta determinada pela pasta, que é de 90%. A BCG, por exemplo, que protege contra tuberculose, apresentou o pior desempenho entre todos os estados.
Segundo relatório enviado pelo MS ao jornal Tribuna da Bahia, em 2018 o estado vacinou apenas com 81,42% do seu público-alvo. Em anos anteriores, a cobertura para esse tipo de vacina chegou a 105,24%. Para a BCG, a média nacional é de 95,63.

Em entrevista à Tribuna, a coordenadora do programa estadual de Imunizações da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Akemi Erdens, explicou que a BCG e a vacina contra Hepatite B são destinada para recém-nascidos, e que falta conscientização da população sobre a vacinação.
"O estado distribui as vacinas para os municípios, que organizam a rotina para fazer a vacinação. Não são vacinas de campanha, estão disponíveis na rotina. Muitas maternidades já fazem a vacinação na própria unidade ou articulam com unidades de saúde próximas. Também orientam a família a levar as crianças em unidades com a vacina disponível”, explicou.
Segundo o Ministério da Saúde, além das já citadas, a Bahia não atingiu a meta da cobertura das vacinas rotavírus, meningocócica C, pneumocócica 10v, poliomielite, penta, hepatite A e tríplice viral. Os medicamentos previnem contra gastroenterites, meningite, pneumonia, paralisia infantil, entre outras doenças.
“Desde 2016 estamos identificando essa queda na cobertura. Isso tem ocorrido no Brasil como todo e é algo que tem sido discutido em mídia nacional. Isso tem ocorrido por conta da circulação de informações falsas e da falsa sensação de segurança que a população vive por não conviver com determinadas doenças, como a poliomielite, porque faz muito tempo que não há casos aqui. São doenças que a gente não tem casos de surto justamente por conta da vacinação de anos anteriores. O programa de imunização é desde 1973, ao longo desses anos, foram incorporadas novas vacinas e a circulação de muitas dessas foram eliminadas. Esse sucesso do programa gerou a falta de convivência das pessoas com doentes, então elas imaginam que não existe mais o risco. Mas sempre existe o risco”, afirmou a porta-voz da Sesab.
Segundo Akemi Erdens, entre as doenças que correm risco iminente de surto está o sarampo. "Já está acontecendo surtos em vários países do mundo próximos ao Brasil, inclusive no Brasil, em alguns estados. Tivemos um surto localizado em Ilhéus no ano passado, mas foi finalizado por conta da vacinação. A gente precisa ainda melhorar nossa cobertura da tríplice viral, vacina que protege do sarampo. A gente precisa manter a cobertura vacinal elevada para diminuir ao máximo o risco de introdução ou reintrodução de doença já superadas, como sarampo, poliomielite e febre amarela. A gente tem procurado esclarecer que as vacinas são seguras e que o risco de eventos adversos é muito menor do que o risco de ter a doença e até vir a óbito. Que a própria população busque informações oficiais, não se baseando em informações não segura. Que busquem essa vacina, proteção para si e para seus filhos”, concluiu.

Ministério da Saúde alerta
Por meio de nota, o Ministério da Saúde também fez um alerta sobre a importância da vacinação para evitar casos, sequelas e óbitos por doenças transmissíveis. No Brasil, a pasta afirma que a cobertura de vacinação registra queda desde 2011, sendo a maior redução identificada a partir de 2016.
“Pela primeira vez, o Governo Federal estabeleceu a cobertura vacinal como meta prioritária para a gestão de Saúde no país. Na agenda de prioridades, foi lançado, no último dia 09 de abril, o Movimento Vacina Brasil, com ações coordenadas pelo Ministério da Saúde para reverter o quadro de queda das coberturas vacinais no país registrado nos últimos anos. O movimento será difundido ao longo de todo o ano, não apenas durante as campanhas de vacinação, e vai reunir uma série de ações integradas entre órgãos públicos e empresas para conscientizar cada vez mais a população sobre a importância da vacinação como medida de saúde pública”, afirma.


*Tribuna da Bahia

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