Fim do Club Med causará prejuízo de R$ 2 milhões à prefeitura de Vera Cruz

O fechamento do Club Med Itaparica, um dos principais resorts de luxo da Bahia, localizado no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, causará uma perda de arrecadação de mais de R$ 2 milhões por ano à prefeitura local. O estabelecimento fechou as portas na última quarta-feira (31). Além disso, há promessa de impacto em outros setores, como o de táxi, que apresentar queda de 40% no movimento.
A estimativa é do próprio prefeito do município, Marcus Vinícius Marques Gil (MDB), segundo o qual o valor é a soma total da arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS), Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e taxas de limpeza e de turismo do local.

Os R$ 2 milhões, ainda de acordo com o prefeito, corresponde a 3% da arrecadação total anual. No entanto, a perda pode ser ainda mais significativa, já que o fechamento do resort impactará outros setores, como de restaurantes, bares e serviços de transporte, o que trará ainda mais prejuízo ao turismo local.
Nos serviços de táxi, por exemplo, são previstas queda de até 40% no movimento de transporte de passageiros, sobretudo durante os fins de semana, conforme estimativas da Cooperativa dos Taxistas Autonomia de Itaparica e Vera Cruz (Coopivec).
O Club Med Itaparica tinha cerca de 300 funcionários e funcionava há mais de 40 anos. Em nota, o resort informou que o fechamento se deu em razão de uma “estratégia mundial de focar em resorts que evoluem para um posicionamento premium”.
Segundo fontes ligadas ao setor hoteleiro da Bahia, por trás do fechamento do equipamento está uma estratégia de expansão na Ásia, por influência da chinesa Fosun Internacional Ltd, uma das principais acionárias do grupo francês Club Méditerranée SA.

Reforma
Nesta quinta-feira (1º), o local entrou em reforma, o que, segundo a Prefeitura de Vera Cruz, não ocorria há mais de dez anos. Dos funcionários antigos, ficaram apenas os que são ligados à área de segurança e portarias, e os demais foram dispensados.
De acordo com o comunicado do resort, “o local de fato está em obras, mas se trata de uma obra de adequação do empreendimento após o fim do período de utilização pelo Club Med”.
A prefeitura de Vera Cruz, no entanto, diz que há uma negociação para que uma rede de hotéis da Colômbia assuma o empreendimento. Sobre o assunto, o Club Med diz que “não há nenhuma negociação em andamento”.
O motivo real da saída do empreendimento, segundo a prefeitura, está ligado ao encerramento do contrato de arrendamento do terreno entre Club Med e o Unibanco, proprietário de 50% da área onde está o hotel – o contrato foi encerrado dia 31 de julho.

“Tentamos, junto com o governo do estado, viabilizar a permanência do empreendimento, inclusive com a redução ou isenção total de impostos, mas o que tivemos de resposta da diretoria do Club Med foi a de que a decisão sobre o fechamento já estava fechada”, disse o prefeito Marcus Vinícius.
O gestor, na sequência, afirmou que “é lamentável o fechamento, ainda mais porque estávamos fazendo uma ação para valorizar a nossa orla, o que atraiu mais turistas no último Verão, que foi o de melhor arrecadação de ISS para nós e quando teve mais lotação no resort”.

Prejuízo
O taxista Ricardo Santos Teixeira, 45 anos, presidente da Coopivec, entidade que possui 32 cooperados, disse que essa semana não fez nenhuma corrida para o resort. Os taxistas faziam a rota Club Med – Terminal Marítimo de Bom Despacho, em Itaparica, que cuja corrida rendia entre R$ 37 a R$ 39. A distância é de 11 km.
“Durante a semana, a gente costumava fazer umas três ou quatro por dia, e durante os finais de semana eram de seis a oito. Tinha vez que não ficava um táxi no ponto, só rodando nesse trajeto”, comentou.
O fechamento do Club Med, diz Teixeira, agravará outro problema que é o transporte clandestino de passageiros que há entre Itaparica e Vera Cruz. “Tem muita gente aí com alvará de outras cidades rodando aqui, e às vezes nem tem alvará”, afirmou.
Dono de um restaurante em Vera Cruz, o francês Luis Derasse, 48, disse que “a situação é dramática, sobretudo para a prefeitura”. Ele disse que funcionários do Club Med sempre faziam confraternizações em seu restaurante.
“Não estamos planejando fazer demissões por enquanto, devido ao fechamento do Club Med. Esperamos que o impacto não chegue a esse nível, mas é algo que nos preocupa muito e que lamentamos. Mas acho também que logo virá outro hotel para o mesmo local”, apostou.
A empresária Ângela Carvalho, presidente da Associação Baiana de Agências de Viagem (Abav), disse que não está sabendo de outro grupo para ficar no local. “O que chegou para nós é que o local não funcionará mais como hotel”, resumiu.
Segundo ela, “os turistas já não procuram o hotel há meses, já que as reservas para depois do dia 30 de julho não estavam mais sendo feitas e muita gente queria já para o Verão”.
A reportagem procurou o empresário Glicério Lemos, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA), e a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) para comentar o assunto, mas não houve retorno.


*Correio

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