Depressão e solidão no período de Natal fazem procura pelo CVV aumentar 20%

O Natal é obrigatoriamente um período feliz. Para os cristãos, é tempo de celebrar o nascimento de Jesus. Para quem é de outra religião (ou de religião nenhuma) é a oportunidade do ano para abraçar família e amigos.
Mas há quem não se encaixe nessa alegria natalina. Os motivos são muitos: não ter com quem comemorar, a perda de um ente querido, o fim de um relacionamento ou a luta contra uma doença física ou psiquiátrica, como a depressão.
Por isso, muita gente diz que não gosta de Natal –mesmo o problema não sendo a data, e sim a sensação de exclusão e solidão.

“Tudo se potencializa nessa época”, diz o engenheiro Carlos Correia, 66, porta-voz e voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida) há 27 anos.
“A maioria das pessoas tem família. Mas há quem se sinta sozinho mesmo rodeado de parentes e amigos”, afirma.
Além disso, observa Carlos, é natural que se faça um balanço da vida nesse período no ano. “Aí, se as metas não foram alcançadas, há um sentimento de fracasso.”
“Também é preciso lembrar que muitos trabalhadores são demitidos no fim do ano. Já os estudantes sofrem com pressão por notas ou para passar no vestibular”, comenta.
Em dezembro, o número de procura pelo CVV aumenta 20% em relação aos outros meses, segundo dados divulgados pelo centro.
Em 2018, foram 3 milhões de atendimentos no ano todo –uma média de 9.000 contatos por dia, com picos os 11 mil. Atualmente, o centro conta com 4.000 voluntários em todo o país.
Esses atendentes passam por uma seleção e são treinados para ouvir e prestar atendimento emocional a quem procura ajuda.
“Às vezes, uma conversa ou só o fato de falar sobre determinado assunto, de fazer um desabafo, é capaz de gerar um alívio muito grande para quem se sente angustiado. Pode ser o primeiro passo para a pessoa buscar um tratamento psicológico ou psiquiátrico, se for necessário”, revela Carlos.
O sigilo e o anonimato nos atendimentos também são muito importantes, diz Carlos. “Pode ser que você tenha um bom amigo, mas não se sente confortável para conversar com ele sobre certos temas.”
Para quem quer ajudar alguém que esteja passando por depressão ou por outro momento difícil, Carlos dá algumas dicas: “Ao iniciar uma conversa, seja acolhedor, ouça de verdade, não fique olhando no celular enquanto o outro fala, não minimize o sofrimento alheio e não julgue.”
“Se você também já passou por isso, conte sua experiência, isso pode fazer com que o outro sinta que não está sozinho. Essas são atitudes que facilitam o desabafo e podem ser praticadas por qualquer pessoa. Lembre-se que uma conversa pode mudar tudo”, diz.

O QUE É O CVV
O CVV (Centro de Valorização da Vida) foi fundado em São Paulo, em 1962. É uma associação civil sem fins lucrativos e reconhecida como de Utilidade Pública Federal desde 1973.
O centro presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.
A número telefônico 188 começou a funcionar no Rio Grande do Sul e, em setembro de 2017, iniciou sua expansão para todo o Brasil, sendo concluída em junho de 2018, atingindo todos os estados.
Os contatos com o CVV são feitos por telefone pelo número 188 (atendimento 24 horas e sem custo de ligação), pessoalmente (nos 110 postos de atendimento espalhados pelo país) ou pelo site cvv.org.br, por chat e email. Nesses canais, são realizados mais de 3 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 4.000 voluntários em todo o país.
Além dos atendimentos, o CVV também mantém o Hospital Francisca Julia, que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


*Bocão News

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