Prefeitura de SP suspende velórios para vítimas do coronavírus e autoriza enterros noturnos

A Prefeitura de São Paulo anunciou na última quinta-feira (23) que vai suspender a realização de velórios de vítimas do coronavírus na capital paulista e autorizar a realização de sepultamentos noturnos na cidade.

As medidas fazem parte do “Plano de Contingência do Serviço Funerário" da capital, que foi detalhado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).

Segundo a prefeitura, com a suspensão da realização de velórios para vítimas de Covid-19 em toda a cidade, a partir do sábado, as homenagens poderão ser feitas em estruturas instaladas nos cemitérios, próximas ao local das sepulturas.

A prefeitura anunciou também que estão autorizados os enterros noturnos na cidade após as 18h, caso o número de sepultamentos diários da cidade seja superior a 400 por dia.
Alguns velórios como o do Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, já começaram a receber na quinta-feira (23) geradores de energia para garantir a operação no horário noturno.

Para dar conta dessa demanda, o Serviço Funerário Municipal afirma que contratou 220 coveiros e outros 200 profissionais serão contratados para o período noturno.

O Serviço Funerário também que está implantado um novo sistema de rastreabilidade de corpos para possibilitar rastreamentos. O sistema entra em operação no dia 1 de maio.

Ao detalhar o plano de contingência funerária da cidade, o prefeito Bruno Covas anunciou que irá aumentar a capacidade de enterros na cidade de São Paulo com a abertura de 13 mil novas valas e a compra de novas câmeras refrigeradas que podem armazenar temporariamente até mil corpos por dia para atender o crescente número de mortes provocadas pela pandemia de coronavírus.

“A nossa preocupação é de estarmos preparados para organizar e minimizar dor das famílias, para que elas possam dar um sepultamento digno aos entes que serão perdidos. Por isso, elaboramos este Plano de Contingência, para que a gente possa ter um funcionamento adequado do sistema funerário na cidade de São Paulo”, declarou o prefeito Bruno Covas.

A compra de 38 mil urnas funerárias para atender a capital nos próximos meses também foi anunciada pelo prefeito e deverão ser entregues até o fim de maio, de acordo com a administração municipal.

Cemitério vertical
Outra medida que começou a ser posta em prática nesta quinta em São Paulo foi a construção de um cemitério vertical para sepultamentos de corpos no terreno onde funciona atualmente o Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, Zona Leste da capital.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), que representa os trabalhadores do Serviço Funerário Municipal, um caminhão iniciou a descarga do material que será usado para a construção do novo espaço.

Imagens feitas pelos representantes dos Sindsep mostram gavetas para sepultamento de biossegurança estão sendo usadas na construção do cemitério vertical da Vila Alpina. Esse tipo de material é recomendado para o sepultamento de corpos de pessoas que contraíram doenças infectocontagiosas.

Segundo a Secretaria de Subprefeituras, trata-se da instalação de mil gavetas que estão sendo preparadas para receber corpos no cemitério da Vila Alpina. Elas utilizam tecnologia para redução drástica do gás sulfídrico ou sulfeto de hidrogênio (H2S), resultantes da decomposição dos corpos, e permitirá que o serviço funerário acompanhe os índices de umidade, pressão e temperatura do interior da gavetas. Para instalar as gavetas, a prefeitura diz que está investindo R$ 2.658.814,00.

De acordo com a prefeitura, o Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste, considerado o maior da América Latina, vai funcionar como centro de logística para os mortos de Covid-19. O local vai receber os corpos para realização de manejo e operacionalização, que vai acontecer em uma nova instalação própria para a atividade, que deve ser concluída até o início da próxima semana.

Outros dois centros logísticos de corpos poderão ser instalados no Cemitério da Vl. Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, e no Cemitério São Luís, da Zona Sul, caso o número de óbitos ultrapasse 400 sepultamentos por dia, segundo o plano da administração municipal.

Oito câmaras refrigeradas servirão como apoio para o armazenamento temporário das urnas funerárias nesses centros logísticos, segundo a prefeitura. Ao menos duas câmaras serão instaladas no centro de logística e servirão como suporte ao crematório da Vila Alpina. Cada câmara refrigerada terá capacidade de acolher 20 urnas, somando no total, 160 unidades, de acordo com a Secretaria Municipal de Subprefeituras, que cuida do Serviço Funerário Municipal.

"Estamos abrindo 13 mil novas valas, inclusive com a utilização e quatro mini retroescavadeira e, se necessário, vamos ter capacidade para poder trabalhar 24h por dia aqui na cidade de São Paulo. Construímos um centro de logísticas no Cemitério da Vila Formosa e adquirimos oito câmeras refrigeradas que podem guardar até mil corpos aguardando sepultamento", afirmou o prefeito.

As 13 mil valas foram abertas nos cemitérios: Vila Formosa (cerca de 8 mil), Vila Nova Cachoeirinha (cerca de 2 mil), São Luís (cerca de 3 mil).

Elevação da capacidade de enterros
A capacidade de enterros foi ampliada para 400 por dia. A média histórica de sepultamentos é de cerca de 240 por dia no período de verão. Nos meses de inverno, esse número chega a 300 por dia.

O prefeito voltou a recomendar que a população fique em casa durante a quarentena. "O vírus está se espalhando pela cidade de São Paulo. Em todas as regiões, em todos os bairros, nós já temos casos de óbitos confirmados que chegam a quase mil na cidade. O pior ainda está por vir", alertou.

Até esta quarta-feira (22), a capital paulista registrava 778 mortos por coronavírus. A previsão é que esse número aumente bastante em maio, quando a doença deve atingir seu pico.

O Cemitério da Vila Formosa irá receber os corpos onde será possível realizar o manejo e sua operacionalização. A instalação do centro de logística será concluída até o início da próxima semana. Outros dois centros de logística poderão ser instalados no Cemitério Cachoeirinha (Zona Norte) e no Cemitério São Luís (Zona Sul), caso o número de óbitos ultrapasse 400 sepultamentos por dia.

Para aumentar a capacidade de enterros na cidade, Covas vai publicar um decreto, no Diário Oficial desta sexta-feira (24), que flexibiliza o monopólio do Serviço Funerário na cidade. "Para que todos os velórios e sepultamentos que acontecem nos cemitérios privados possam acontecer sem passar pelo Serviço Funerário da Prefeitura de São Paulo."

Além disso, foram compradas 38 mil novas urnas funerárias e 15 mil sacos reforçados para o deslocamento de corpos na cidade.

Plano de Contingência
A Prefeitura de São Paulo preparou um Plano de Contingenciamento Funerário para atender o aumento da demanda em decorrência de óbitos da Covid-19.

"Já liberamos um crédito complementar de R$ 40 milhões para o Serviço Funerário. Já estamos ampliando a capacidade do Serviço Funerário e dos cemitérios municipais de sepultar 240 corpos pulando para 400 diariamente. A prefeitura já contratou 220 coveiros para dar conta dessa demanda. Aumentou em 32 carros, eram 36 e agora temos mais 32 carros trabalhando na frota do serviço funerário. Ampliamos o atendimento das agências funerárias, já estamos instalando nove agências nos nossos nove hospitais municipais referenciados para Covid. Criamos uma central telefônica junto ao 156 para que a gente possa ter o atendimento do serviço funerário no 156", afirmou Covas.

A frota de veículos para traslado de corpos incorporou mais 20 carros para atender o Serviço Funerário. No total, o número passou de 36 para 56 automóveis, dos quais dez estão reservados para o translado de corpos de vítimas ou suspeitas da Covid-19. De acordo com o prefeito, se for necessário vai adquirir mil gavetas em cemitério vertical e contratar mais 200 coveiros.

Mortes
O estado de São Paulo registrou 211 novas mortes por coronavírus em 24 horas nesta quinta-feira (23) e o número total subiu para 1.345 desde o início da pandemia, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Também já são 16.740 casos confirmados da doença no estado.

Segundo a secretaria, 256 municípios têm pelo menos um caso confirmado da doença e 114 cidades já registraram pelo menos uma morte. A maioria das mortes ainda se concentra na capital, com 912 registros. No entanto, o número de óbitos cresceu 21 vezes no interior, litoral e outras cidades da Grande São Paulo. Balanço desta quinta aponta 433 mortes nessas regiões. No dia 1º de abril, eram apenas 20 mortes fora da cidade de São Paulo.

Há um aumento expressivo nas internações por Covid-19, com 7.003 suspeitos e confirmados nos hospitais de São Paulo – 2.807 internados em UTI e 4.196 em enfermaria. Na quarta-feira (22), o número total de internados por suspeita ou confirmação era de 6.163.

A taxa geral de ocupação nas UTI de hospitais públicos e privados do estado é de 55,3% (4.342 leitos) e na enfermaria de 37,4% (8.960 leitos). Já na Grande São Paulo, a taxa de ocupação de UTI é de 74% (2.469 leitos) e de 57,8% nas enfermarias (4.479 leitos).

Vários hospitais de referência já estão com o sistema sobrecarregado. A taxa de ocupação das UTIs dos hospitais mais procurados na Região Metropolitana varia entre 96% no Instituto Emílio Ribas e 89% no Hospital Mário Covas de Santo André.

*G1

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