Pandemia do coronavírus deixa ao menos 50 mil brasileiros sem diagnóstico de câncer

Desde que a pandemia do novo coronavírus teve início, ao menos 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer. Outros milhares de pacientes, com o tumor já identificado, tiveram o tratamento suspenso. A estimativa é da Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica.

O estudo reflete dois fenômenos que ocorrem nesse período: os cancelamentos de procedimentos e a recusa de pacientes em procurar um hospital com medo de se infectar.

Desde meados de março até hoje, foram 5.940 exames do tipo realizados na rede pública de São Paulo. No mesmo período do ano passado, 22.680 biópsias foram realizadas. Em um centro de referência que atende o Ceará, o número caiu de 18.419 para 4.993 no mesmo período.

“Há serviços que ficaram uma semana inteira sem receber um único material para análise. O nosso medo é que tenhamos, daqui a alguns meses, uma epidemia de câncer em estágio avançado, inoperáveis, com baixa chance de cura”, alerta Clóvis Klock, presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Patologia.

A sociedade estimou que houve queda de 50% no número de diagnóstico nos últimos dois meses, o que leva ao número de 50 mil casos desconhecidos. Somados aos casos novos estarão ainda os milhares de pacientes que tiveram de postergar seus tratamentos.

“Desde o início da pandemia, suspendemos muitas cirurgias e mantivemos só as dos tumores mais agressivos. No começo não sabíamos quanto a fase mais crítica da pandemia iria durar. Com a expectativa de que teremos de três a quatro meses até passar o pico e começar um declínio de casos, teremos de adaptar os serviços de saúde para retomar esses atendimentos suspensos”, destaca Heber Salvador, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

*BahiaNotícias

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