Autora de estudo sobre vermífugo diz que 'jamais' sugeriu o uso da nitazoxanida em qualquer paciente


A principal autora do estudo sobre o uso do vermífugo nitazoxanida contra a Covid-19, a médica Patrícia Rocco, afirmou ao jornal Estadão que não houve intenção de politizar o tema e ressalta que a divulgação dos resultados, feita em cerimônia no Palácio do Planalto no último dia 19, não quis incentivar o uso indiscriminado do remédio, mas, sim, compartilhar dados úteis para futuras pesquisas.

“Jamais sugeri o uso da nitazoxanida em qualquer paciente ou em qualquer fase da covid-19. Entretanto, é importante fomentar a discussão na comunidade científica nacional e internacional”, afirmou.

O estudo, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), foi alvo de críticas de outros cientistas. Na cerimônia de apresentação dos dados parciais, que contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Marcos Pontes, o governo federal usou um gráfico de barras tirado de um banco de imagens, sem base nos dados reais da pesquisa, para ilustrar a eficácia do medicamento. 

No vídeo de apresentação da conclusão do estudo, um narrador afirma, ao mesmo tempo em que o gráfico é mostrado, que “o resultado comprovou de forma científica a eficácia do medicamento na redução da carga viral na fase precoce da doença". Dias depois, quando os dados completos do estudo foram publicados em um artigo científico, pesquisadores afirmaram que os resultados, embora mostrem que o remédio promove redução de carga viral, não permitem concluir que ele tem benefício comprovado no tratamento.

*metro1


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