2º dia de Enem digital teve questão sobre vacina e meio ambiente, dizem professores


O segundo dia de aplicação do Enem digital, realizado neste domingo (7), cobrou questões teóricas em ciências da natureza e exigiu cálculos dos candidatos na prova de matemática. A prova começou às 13h30 e terminou às 18h30. Foram 5 horas para responder a 90 questões.

No primeiro dia de provas, no domingo passado (31), a prova foi de linguagens, ciências humanas e redação, com o tema sobre desigualdade regional no Brasil. A abstenção foi de 68%.

O Enem digital trouxe uma pergunta sobre vacina, ao contrário do Enem impresso (aplicado em 17 e 24 de janeiro), onde o tema esteve ausente.

Embora não tenha citado diretamente a pandemia, o candidato que se manteve atento ao noticiário pode ter tido maior facilidade em respondê-la. Os cadernos de questões foram disponibilizados pelo Inep, responsável pelo exame. A prova pode ser consultada aqui. Confira a questão abaixo:



Uma outra questão, sobre capacitores – tema comum em outros vestibulares, mas não tão frequente em provas do Enem –, pode ter trazido problemas para alguns candidatos na resolução.

Outro tema bem presente foi a ecologia: havia questões que abordavam a contaminação da água por mercúrio, reflorestamento, clonagem para a preservação de espécies do Cerrado e contaminação de ecossistemas pelo petróleo.

Para Fernando da Espiritu Santo, gerente de Inteligência Educacional e Avaliações do Poliedro, a prova digital pode ter ajudado os candidatos que tiveram a mesa livre para cálculos (leia mais abaixo).

Para Daniel Perry, diretor do Curso Anglo, a prova foi "bem elaborada e técnica".

Impresso x Digital

Pela primeira vez, o Enem teve uma prova digital. Mais de 100 mil candidatos se inscreveram e 96 mil confirmaram a inscrição. Na versão impressa, 5,7 milhões de candidatos estavam confirmados.

Para Fernando da Espiritu Santo, gerente de Inteligência Educacional e Avaliações do Poliedro, os candidatos podem ter tido maior facilidade na prova de matemática no meio digital, justamente porque tinham a mesa livre para fazer os cálculos no rascunho, enquanto na versão impressa o candidato precisa dividir o espaço com o caderno de questões e o gabarito.

"Geralmente, o segundo dia de Enem, com provas de ciências da natureza e matemática, é sempre um desafio logístico para estudantes manipularem o caderno de provas, a folha de rascunho e o cartão resposta", afirma.

"Na aplicação digital, isso foi superado, pois na mesa somente mouse e rascunho eram preocupações. Se [o candidato] marcasse a alternativa errada, com um simples clique, ele poderia alterar, o que não ocorre na versão impressa. Se marcar errada, perde questão", avalia.

Ciências da natureza

Para Espiritu Santo e Perry, a prova teve predomínio de questões teóricas, sem necessidade de cálculos para resolvê-las.

Ambos destacam as questões ambientais como recorrentes nesta versão do exame.

Uma questão trouxe a contaminação da água por mercúrio, outra abordou reflorestamento. Outra pergunta citou a clonagem para a preservação de espécies do Cerrado e a contaminação de ecossistemas pelo petróleo. Na versão impressa, contaminação por petróleo também apareceu.

"A gente pode dizer que na prova de Ciências da Natureza, a preocupação ambiental esteve presente em diversas questões, o que demonstra a busca do Enem para dialogar com temas da atualidade", afirma Perry.

Matemática

Perry avalia que os enunciados estavam claros e houve questões de matemática que também abordavam a temática ambiental, como a de captação da água da chuva
e lixo radioativo e o aumento na produção de biocombustíveis, como etanol, e o impacto no preço da comida no planeta.

"Foi uma prova com uma boa distribuição entre questões fáceis, médias e difíceis, que um aluno com bom preparo consegue lidar sem grandes problemas", afirma Perry.


Candidatos

Para candidatos, a prova de matemática estava difícil devido aos "cálculos mais pesados", segundo Ítalo Menezes, de 23 anos, que fez a prova no Acre. Ele considerou a prova de biologia fácil e afirma que pode completá-la em uma hora e vinte minutos.

A nova modalidade, apesar de trazer mais facilidade na aplicação, causou divergências entre os candidatos de Recife.

Estela Gomes, de 23 anos, faz Enem pela nona vez. Ela cursa engenharia química, mas decidiu trocar de instituição de ensino. Para ela, a experiência do Enem digital foi negativa por causa da logística de realização da prova.

“Eu me arrependi completamente. Me inscrevi porque era uma coisa inovadora e eu fazia a prova do mesmo jeito há muito tempo. Não sei se era assim em todos os lugares, mas as salas são muito pequenas, tinha pouco espaço entre os candidatos e havia um papelão para dividir as mesas, como se fazia nas antigas lan houses. Esse espaço era muito pequeno para se movimentar”, afirmou a jovem.

Já Karla Nunes, de 27 anos, gostou da versão digital. Gostei muito da edição digital, achei menos cansativo que a impressa. Acho que seria uma boa se fosse sempre assim. Se precisar fazer de novo a prova, com certeza escolheria digital", afirmou.


*G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário