Diretor da OMS compartilha foto de técnica criada por enfermeira brasileira e agradece pelo trabalho dos profissionais na linha de frente


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, compartilhou nesta última sexta-feira (9) uma foto que mostra a "técnica da mãozinha", criada por uma enfermeira brasileira para dar conforto a pacientes com Covid-19.

"Sem palavras para expressar minha admiração aos profissionais da saúde na linha de frente nesta pandemia e as formas incríveis com que eles estão buscando confortar seus pacientes. Vocês têm muito a nos ensinar e há muito que devemos fazer para apoiá-los e protegê-los", escreveu Ghebreyesus.

Juntando duas luvas amarradas e cheias de água quente, a carioca Lidiane Melo conseguiu melhorar a circulação sanguínea e trouxe calma a quem se sente sozinho em um leito de UTI.

Em entrevista ao G1, no mês passado, Melo contou que teve a ideia durante um dia intenso no plantão em que fazia em um hospital na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio.

“A mão [do paciente] estava muito fria. Enrolei em algodão ortopédico e atadura, que é uma prática prevista na enfermagem, mas não funcionou", contou a profissional da saúde.

"A circulação não melhorava", lembrou a enfermeira. "Pensei em molhar a mão dele com água morna, mas por causa do risco de contaminação, a ideia não era boa. Pensei mais um pouco e coloquei a água morna dentro das luvas cirúrgicas e envolvi na mão dele.”

A postagem de Ghebreyesus foi publicada pouco antes da entrevista coletiva semanal que ele participa, desde o começo da pandemia, de dentro da sede da OMS, em Genebra.

Nesta sexta, em sua fala inicial, ele alertou que a maior parte dos países membros da OMS ainda não adquiriu vacinas suficientes para proteger todos os profissionais da linha de frente e disse que há um "desequilíbrio chocante" na distribuição mundial de vacinas.

"Mais de 700 milhões de doses de vacinas foram administradas globalmente, mas mais de 87% foram para países de renda alta ou média alta, enquanto os países de baixa renda receberam apenas 0,2%", disse o diretor-geral em entrevista coletiva.

'Inferno furioso' no Brasil

Durante a coletiva em Genebra, um consultor sênior da OMS comentou a situação do Brasil e disse que o país lida com um "inferno furioso" de surto durante a pandemia de Covid-19.

"O que se está lidando aqui é um inferno furioso de um surto, e isso requer ações para toda a população na rápida identificação, isolamento e quarentena", disse Bruce Aylward. "Você tem que abordar isso, em escala, para desacelerar as infecções."

O consultor sênior afirmou que não existem vacinas suficientes, no momento, para reduzir o risco de disseminação do coronavírus no Brasil, e que a situação exige que a população adote medidas de saúde pública como o uso de máscaras e distanciamento.


*G1

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