Governadores pedem à ONU 'ajuda humanitária' para compra de vacinas e kits intubação

Foto: Agência Brasil

Governadores pediram na tarde desta última sexta-feira (16) a "ajuda humanitária" da Organização das Nações Unidas (ONU) para a aquisição de vacinas contra Covid-19 e de remédios e sedativos que compõem o chamado kit intubação.

Organizados no Fórum dos Governadores, eles se reuniram por videoconferência com a secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohamed.

“São 11 estados em que pacientes estão internados e faltam analgésicos, sedativos, em alguns lugares oxigênio. Ou seja, há necessidade de a ONU dar essa ajuda humanitária nessa direção”, disse o governador Wellington Dias (PT), coordenador da temática de vacina no fórum.

Os governadores enviaram à secretária uma carta em que relacionam cinco pontos de combate à pandemia na visão do grupo, entre os quais uma estratégia de combate ao coronavírus com medidas restritivas e isolamento e com o aumento da vacinação por meio da ajuda internacional.

São os seguintes cinco pontos apresentados à ONU, segundo Wellington Dias:

  1. Que seja cumprido o cronograma do consórcio internacional Covax Facility;
  2. Que a ONU dialogue com a União Europeia, Índia e China para que o Brasil tenha prioridade na entrega de IFA;
  3. Que a ONU atue junto à AstraZeneca e ao Sinovac para antecipar a produção de IFA no Brasil;
  4. Que a ONU atue para que os Estados Unidos vendam ou emprestar as vacinas da AstraZeneca que os EUA têm estocadas;
  5. Que a ONU ajudasse o Brasil a obter medicamentos e sedativos utilizados para a sedação e intubação de pacientes.

Segundo Wellington Dias, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que também participou da reunião, afirmou que será feita uma tentativa para antecipar a entrega de aproximadamente 4 milhões de doses da vacina AstraZeneca por meio do consórcio Covax Facility.

“Haverá um esforço para que uma entrega que estava prevista para maio possa ser antecipada para até o final do mês de abril — cerca de 4 milhões de doses. Vamos tratar com a própria Coreia, com a Índia, com a China, com outras regiões de produção que estão no compromisso de entrega para a OMS, para este esforço com o Brasil”, afirmou o governador.

Segundo Dias, os estados têm uma estratégia de conter o coronavírus com medidas restritivas, quarentena e isolamento de pessoas. "Mas há um fato concreto: o vírus se propagou fortemente no Brasil”, declarou.

Vacinas

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse na reunião que a suspensão temporária das patentes das vacinas contra Covid-19 deve ser uma discussão mundial frente à grande demanda pelos imunizantes.

"Vários organismos e países têm destacado que as cartas de direito do sistema ONU consagram a função social da propriedade e da propriedade intelectual. Talvez a temática da suspensão temporária de direitos de propriedade intelectual, a chamada quebra de patentes, seja um tema inevitável em nível global", disse Dino.

Wellington Dias também afirmou que os governadores estão pedindo à Universidade de Oxford a autorização para a antecipação da produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"Isso vai ser bom para o Brasil e para o mundo. Sensibilizar a ONU dessa ajuda humanitária que estamos pedindo ao mundo e aos EUA, que tem produção já realizada e que não está em uso e poderia ser utilizada para o Brasil e outros países com baixa vacinação", afirmou o governador.


*G1

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