Bahia tem o maior número de desalentados do país, aponta pesquisa

Foto: Reprodução/G1

A Bahia tem o maior número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, do país, segundo uma Pesquisa Nacional de Amostras por Domicilio. A pandemia é umas das principais causas dessa desistência.

Os setores de alimentação e hospedagem foram os que mais demitiram em 2020. Segundo dados da Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda, só os hotéis fecharam 15 mil postos e 17 mil comerciários ficaram desempregados.

Ao todo cerca de 36 mil baianos ficaram desalentados em 2020. Os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicilio são recolhidos desde 2012 e de lá para cá, a população mais que dobrou. Os números saltaram de 323 mil para 808 mil, um aumento de 150%.

"A gente sabe que os jovens têm mais dificuldades de se inserirem no mercado de trabalho, mas tem a ver com uma baixa escolaridade da população, com vários fatores. Então um mercado que não absorve, que não dá conta da demanda, ele favorece o desalento", explicou a supervisora do IBGE, Mariana Viveiros.

A auxiliar de cozinha Cátia Santos perdeu o emprego em uma confeitaria de Salvador, em abril deste ano. A saída encontrada por ela foi fazer diárias entre o preparo de salgados e faxinas em residências.

"Bati na porta de um, bati na porta de outro, ouvia falar que estamos em uma pandemia e que não tinha condições de contratar agora, deixe melhorar. Nessa melhora, o tempo foi passando e aí decidi fazer minhas diárias", contou.

A veterinária Ana Gouveia tem um ano que foi demitida do emprego. Nesse período, ela tem cuidados apenas dos animais que tem na casa onde morava.

A paixão pelo emprego foi deixada de lado por causa da necessidade de cuidar dos pais idosos durante a pandemia.

"Fazia seleção e não tinha retorno. Diante da atual conjuntura, de todo medo da pandemia, eu desisti de procurar", revelou a veterinária.

O psicólogo Rodrigo Rodrigues traçou um perfil da maior parte dos desalentados. "Essas pessoas desalentas são em grande maioria: mulheres, jovens, de cor preta ou parda, e com baixa escolaridade", disse.

O setor de tecnologia foi o que mais contratou no período da pandemia. Com o aquecimento das vendas online, as pessoas que trabalham com desenvolvimento de aplicativos foram os mais procurados.


*G1

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