Risco de terceira onda da pandemia é 'ainda mais grave', diz Fiocruz

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fizeram, nesta última quinta-feira (13), um alerta sobre o patamar elevado da Covid-19 no Brasil, o que gera oportunidade para o surgimento de novas variantes do coronavírus SARS-CoV-2 e torna o risco de uma terceira onda "ainda mais grave". O governador da Bahia, Rui Costa, também demonstrou preocupação com a situação da pandemia no estado.

Segundo o portal UOL, a análise foi publicada no boletim divulgado ontem pelo Observatório Covid-19, que também mostra uma redução nas taxas de mortalidade e ocupação dos leitos de UTI (unidades de terapia intensiva). "A observada manutenção de um alto patamar, apesar da ligeira redução nos indicadores de criticidade da pandemia, exige que sejam mantidos todos os cuidados, pois uma terceira onda agora, com taxas ainda tão elevadas, pode representar uma crise sanitária ainda mais grave", descreve o boletim.

Há uma tendência de queda de 1,7% no número de mortes por dia desde o fim de abril. O índice de casos aumentam 0,3% por dia. O número de mortes continuava elevado na semana de 2 a 8 de maio, próximo das 2,1 mil vítimas por dia. Já o percentual de pessoas diagnosticadas caiu de 4,5% em março para cerca de 3,5% na última semana, o que pode indicar um aumento na capacidade de diagnóstico e no tratamento de casos graves.

"Neste momento da pandemia cabe o reforço das ações de vigilância em saúde para fazer a triagem de casos graves, o encaminhamento para serviços de saúde mais complexos, bem como a identificação e aconselhamento de contatos. Nesse sentido, a reorganização e ampliação da estratégia de testagem é essencial para evitar novos casos, bem como reduzir a pressão sobre os serviços hospitalares", recomendam os pesquisadores.

O boletim divulgado ante-ontem aponta uma melhora significativa na ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na Região Norte, onde Roraima (37%), Acre (57%) e Amazonas (55%) estão na zona de alerta baixo. Fora esses três estados, a Paraíba é a única que apresenta ocupação na zona de alerta baixo, com 59%.

Apesar disso, sete estados de outras regiões têm ao menos 90% dos leitos ocupados: Piauí (90%), Ceará (90%), Rio Grande do Norte (95%), Pernambuco (96%), Sergipe (97%), Paraná (93%) e Santa Catarina (91%). Também estão na zona de alerta crítico para a ocupação de UTIs: Bahia (80%) Roraima (88%), Mato Grosso do Sul (85%), Distrito Federal (81%), Tocantins (81%), Rio de Janeiro (87%) e Goiás (84%).

O número de estados na zona de alerta médio é o maior desde 22 de fevereiro. São nove as unidades da federação com as UTIs entre 60% e 80% de ocupação: Amapá (72%), Pará (69%), Maranhão (67%), Mato Grosso (79%), Alagoas (74%), Minas Gerais (79%), Espírito Santo (77%), São Paulo (79%) e Rio Grande do Sul (73%).

Ainda segundo o UOL, o boletim sugere que a nova conjuntura da pandemia "pode permitir a readequação dos serviços de saúde, com atuação mais intensa dos serviços de Atenção Primária de Saúde, bem como o esclarecimento da população, empresas e gestores locais sobre a importância de se intensificar as práticas de proteção individuais e coletivas, como o uso de máscaras, higienização pessoal e de ambientes domiciliares".

A Fiocruz recomendou que locais e atividades de interação social, principalmente em ambientes fechados e com grandes números de pessoas continuem sendo evitados. "Somente essas medidas, aliadas à intensificação da campanha de vacinação, podem garantir a queda sustentada da transmissão e a recuperação da capacidade do sistema de saúde", diz a entidade.


*Bahia Noticias

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