De onde vem o que eu como: o Brasil é o maior produtor de maracujá e possui 150 variedades da fruta

Foto: Reprodução / Globo Rural

O maracujá não é só aquele que a gente encontra no supermercado: existe uma ampla variedade de frutos e flores. Apenas no Brasil são 150 espécies nativas; no mundo todo, mais de 500.

Apesar de o país ser o que mais produz maracujá no mundo, quase tudo o que é cultivado aqui é consumido pelos próprios brasileiros, com as exportações em torno de apenas 1% da produção, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Mandioca e Fruticultura.

O maracujá é plantado majoritariamente pela agricultura familiar e pode dar frutos o ano inteiro, proporcionando uma renda regular aos produtores.

Também se trata de uma fruta que gera empregabilidade, por precisar de mão de obra para poda e para a polinização, que deve acontecer manualmente.

Conhecida pelo seu efeito calmante, a fruta possui diversos nutrientes que ajudam o nosso organismo a, por exemplo, controlar a pressão alta. 
Foto: Arte / G1

Rentabilidade para agricultura familiar
O maracujá é um cultivo feito majoritariamente por pequenos produtores e pela agricultura familiar. Segundo dados da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em mais de 45% dos municípios que plantam a fruta, os agricultores possuem apenas entre 1 e 4 hectares.

O motivo para ela ser mais atrativa aos pequenos produtores é a rentabilidade, afirma o pesquisador da Embrapa Onildo Nunes de Jesus.

Além de poder ser cultivado em todo o Brasil, nas condições ideais o maracujá pode ser colhido o ano inteiro. Isso porque após 4 meses de plantio já é possível obter a fruta, mesmo que a fase mais abundante seja entre o 7° e o 9° mês. Deste modo, o produtor consegue uma renda semanal.

O pesquisador conta que em municípios que são fortes na produção do maracujá, como Livramento da Nossa Senhora, na Bahia, é visível o benefício deste cultivo para a população.

“A maioria deles, os produtores, vivem exclusivamente do maracujá e quando a gente vai visitar as áreas de produção a gente vê o quão o maracujá é capaz de modificar a condição social daquele povo daquela região. Casa boa, carro bom, tudo fruto do retorno pelo plantio do maracujá”, conta.

Produtividade baixa
Apesar de o Brasil ser um destaque no mundo todo na produção do maracujá, a produtividade média nacional é baixa.

Os agricultores conseguem cerca de 14 toneladas da fruta por hectare, mas, segundo o pesquisador Onildo Nunes, uma plantação que adota tecnologias e que se localiza em uma terra saudável consegue de 50 a 60 toneladas por hectare.

Mesmo áreas mais antigas, que acabam tendo instalações de doenças - o que prejudica o número de frutos obtidos - podem produzir de 20 a 30 toneladas por hectare, quando há adoção de tecnologia.

O pesquisador comenta que o problema vai além da falta de capacitação do produtor porque, ainda quando isso acontece, existe uma resistência em aplicar o aprendizado na prática, pois há preferência em manter a metodologia que é passada pelas gerações.

Polinizando o maracujá
Ainda que seja majoritariamente um cultivo da agricultura familiar, existem duas etapas do plantio do maracujá em que há empregabilidade, devido a uma demanda maior da mão de obra.

A primeira é a poda dos pés, em que é preciso cortar os ramos laterais para evitar que a planta acabe entrelaçando em uma ao lado. A outra é a etapa mais importante na cultura, segundo o pesquisador Nunes, que é a parte da polinização, processo obrigatório para a flor ser fecundada e gerar o fruto.

Mas existe um detalhe, a flor é autoincompatível, ou seja, só irá dar frutos se receber o pólen de outra flor. Se isto não acontecer dentro de 24 horas, que é o tempo que ela fica aberta, o maracujá é abortado.

Na natureza existe um inseto que realiza esse processo, é a abelha mamangava, mas ela só habita áreas com mata, o que, segundo Nunes, é raro. Por causa disso, alguns produtores procuram ninhos de mamangava, que geralmente são feitos em troncos de aves mortas, e os levam para a plantação.

Mas, além de raras, algumas destas abelhas acabam morrendo durante a polinização, devido ao uso de defensivos aplicados nas flores para o combate de doenças.

Por estes motivos, os agricultores recorrem à polinização manual, que emprega, em média, de 2 a 3 pessoas por hectare. Nestes casos, é preciso esfregar dois dedos no pólen de uma flor e, em seguida, aplicar ele em outra, também com o dedo.

Por ser um processo delicado, muitos produtores optam por contratar mulheres para realizar esta função. Se a polinização acontecer de forma grosseira pode machucar a flor, o que significa um maracujá a menos.

“Quanto mais eficiente for a fertilização, mais óvulos vão ser fertilizado e mais suco vai ter, porque é daqui que vai surgir o suco”, explica Nunes. “Quanto mais pólen, maior o tamanho do fruto, da polpa e, consequentemente, mais semente e mais suco".

O pesquisador dá ainda uma dica: não adianta polinizar em dia de chuva ou em dias muito secos. Isso porque, com muita chuva, o pólen vai absorver a água e inchar, se tonando inviável. E, quando a umidade do ar está baixa, ele perde água para o ambiente e murcha, também não vai dar certo.

Suco de maracujá acalma?
Todas as partes do maracujá, ao serem consumidas, trazem algum benefício ao nosso organismo, segundo o nutricionista Leonardo Dias Negrão.

Polpa: é rica principalmente em vitamina A e C, por isso tem um efeito antioxidante, de reforço imunológico e ajuda a diminuir desconfortos intestinais e cólicas.

Casca e semente: possuem a maior parte das fibras da fruta, por isso podem ser boas para dar saciedade. Também podem aumentar a insulina.

Folha: é onde se concentra a maior parte das substâncias alcaloides e flavonoides, que proporcionam o efeito calmante no sistema nervoso, sendo bom para regular o sono, para ansiedade e depressão.

E é por causa desse último ponto que ao tomar o suco de maracujá você pode não ter sentido nada de diferente. Na verdade, o que acalma é o chá feito da folha.

Segundo Negrão, o suco pode até acalmar, mas apenas pessoas que são muito sensíveis às substâncias calmantes, que existem em menor grau na polpa.

Para prepará-lo, de acordo com o nutricionista, é importante usar a erva seca, que é a forma mais natural.

Para fazer meio litro de chá, se usa uma colher de sopa da folha. Mas, cuidado, Negrão alerta para não deixar a água ferver porque, se estiver muito quente, o calor pode fazer a bebida perder o efeito. É interessante também deixar o chá descansando um pouco, para que as folhas liberem as substâncias.

“É sempre bom tomar cuidado, independe do chá. A passiflora (flor do maracujá) também tem um efeito de reduzir a pressão arterial, além do efeito calmante. Pessoas que vão dirigir, que possam sair, precisar de alguma coisa de atenção não devem tomar o chá antes de sair porque os reflexos podem diminuir por conta da sonolência”, alerta.

Por este motivo também, o nutricionista recomenda não tomar o chá mais de 3 vezes na semana. Entre os efeitos para quem não consumir a bebida de forma adequada estão pressão e glicemia baixas, gerando desmaios, por exemplo.


*G1

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