Armas na Bahia: PRF registra aumento de 290% na apreensão de pistolas entre 2019 e 2020

Foto: Reprodução / TV Bahia

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou um aumento de 290% na apreensão de pistolas entre 2019 e 2020. De acordo com o órgão, a apreensão de munições foi ainda maior, alcançou um aumento de 339% no período.

Em 2019, segundo a PRF, os policiais rodoviários federais apreenderam 112 armas na Bahia. No ano passado, o número subiu para 189 (77 armamentos a mais que o registrado no ano anterior).

Desse total, conforme a PRF, 117 eram pistolas. Também foram retiradas de circulação 5.918 munições de diversos calibres. Durante as abordagens também foram apreendidos seis fuzis, cinco espingardas e uma submetralhadora.

Os dados sobre armas apreendidas na Bahia publicados na reportagem foram conseguidos pela produção da TV Bahia por meio da Lei de Acesso à Informação.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), nos últimos dois anos, 828 armas foram apreendidas em ações policiais em Salvador. Em todo o estado foram quase 8.500 armas apreendidas em ações policiais.

No dia 1° de março de 2020, uma carga de armas foi encontrada na cabine de um caminhão, em um trecho da BR-116 e seria descarregado na cidade de Santo Antônio de Jesus. Na oportunidade, os policiais apreenderam 36 pistolas de calibre 9mm, 2000 munições e 74 carregadores.

Já em 23 de novembro do ano passado, uma outra apreensão chamou a atenção da Polícia Rodoviária Federal, na BR 116, na cidade de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. Os policiais apreenderam dois fuzis calibre 556, de fabricação norte-americana e 23 pistolas calibre 9mm.

O arsenal estava com um homem de 32 anos, que seguia viagem em um ônibus que saiu de São Paulo e tinha Serrinha, que fica a cerca de 180 Km de Salvador, como destino.

Acesso a armas de caça
O acesso a armas de caça é considerado difícil até para quem trabalha na área. Para portar arma, de acordo com a lei, a pessoa precisa atestar se tem habilidade para o uso com documentos e laudos.

"É extremamente difícil o processo de acesso a essas armas, passa por alguns critérios como teste de tiro, avaliação psicológica, para depois ter acesso. Essas armas que você consegue ver aqui, por exemplo, você precisa fazer um credenciamento ao Exército brasileiro, comprovando essas aptidões técnicas e psicológica para depois você ter acesso", explicou o diretor de um clube de tiro de Salvador, Cássio Brasil.

O diretor trabalha no estabelecimento que funciona há 6 anos na capital baiana e oferece cursos profissionais para vigilantes, atiradores esportivos, colecionadores e caçadores.

"É um processo que pode levar de 10 meses até um ano para você conseguir ter acesso essas armas, que são utilizadas no tiro desportivo, em competições nacionais estaduais e internacionais", complementou.

O instrutor de tiros Ricardo Mota explicou que algumas armas têm a capacidade de atingir alvos com maior facilidade mesmo com o atirador estando longe.

"Essa arma é um fuzil calibre 556. É uma arma de calibre restrito. Você consegue capacitar um alvo a 1.500 metros. Uma arma utilizada pela pelas forças policiais, tanto no país, quanto fora do país", disse.

"Ela tem uma capacidade de 30 cartuchos. A outra arma CTT 40 é uma arma também de um poder de efetividade relativamente alto. Ela possui 30 cartuchos e tem um alcance efetivo de cerca de 300 metros".

Problema a ser resolvido
O especialista em segurança pública e ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro, Paulo Storane, acredita que é preciso pensar em estratégias a curto, médio e longo prazo para que a haja uma solução que consiga combater a movimentação de armas na Bahia.

"Precisa de uma política nacional sobre drogas, uma política sobre o próprio código penal, como agravar algumas penas relacionadas, estrategicamente a esse problema, para diminuir a incidência de pessoas que cometem o crime, por exemplo usando fuzil. Se fosse mais duro isso, com certeza o criminosos não iriam querer ser preso com fuzil", ponderou.


*G1

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