Anvisa pede tranquilidade após suspensão de lotes da CoronaVac e diz que pessoas já vacinadas serão acompanhadas

 Foto: ADRIANO ISHIBASHI/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, disse que a suspensão da distribuição e da aplicação de pelo menos 25 lotes da vacina CoronaVac deve ser encarada com tranquilidade e serenidade.

A agência anunciou nesta sexta que mais de 12 milhões de doses da vacina passaram por processos de produção em uma fábrica na China que não foi inspecionada pela Anvisa e, por isso, terão o uso suspenso no Brasil. Outros 9 milhões desses lotes estão em tramitação de envio e podem chegar ao Brasil em breve.

De acordo com Barra Torres, por enquanto, os estados e municípios não devem usar as vacinas desses lotes. Além disso, quem recebeu doses que foram alvo da suspensão deverá ser acompanhado pelas autoridades de saúde, disse o diretor da Anvisa.
"Há a orientação para os estados e municípios e, aliás, já temos notícia pela imprensa de que vários estados e municípios já não estão utilizando as doses de vacina desses lotes. Então a primeira providência é não usar. Aquelas que eventualmente já tenham sido utilizadas, as pessoas que já tenham sido vacinadas, essas pessoas serão monitoradas", disse Barra Torres em entrevista à GloboNews.

O diretor da Anvisa disse ainda que, além do monitoramento feito pelo Ministério da Saúde, haverá ainda um acompanhamento por parte da própria agência.

"Existe a monitorização feita pelo próprio Ministério da Saúde, existe a monitorização feita pela Anvisa, e pelas vigilâncias locais. Então são pessoas que serão observadas e, obviamente, qualquer necessidade de ajuste vacinal para o futuro, ele será feito", disse Barra Torres.

Segundo a chefe de assuntos regulatórios e de qualidade do Instituto Butantan, as vacinas envasadas em fábrica não certificada não oferecem riscos à população. Ela ressaltou ainda que essas doses passaram pelo processo de controle de qualidade do Butantan.

"Todos esses lotes que vêm da China, que vêm da Sinovac pro Butantan, eles são analisados pelo nosso time de qualidade, não só documentalmente, mas, também, a gente analisa o produto, e a gente não teve nenhum indício de problema de qualidade", explicou Patrícia Meneguello, do Butantan.

Em nota, o Instituto Butantan disse que "a medida da Anvisa não deve causar alarmismo" e declarou que foi o próprio instituto que alertou a Anvisa por "extrema precaução" e que "convida a cúpula da Anvisa para voltar a conhecer as instalações das fábricas da Sinovac" na China.

"Todos os lotes liberados pelo instituto estão de posse do Ministério da Saúde, como firmado em contrato. Reafirmamos, no entanto, que todas as doses que saíram da unidade fabril estão atestadas pelo rigoroso controle de qualidade do Butantan", disse o instituto em nota.

O Instituto disse ainda que encaminhou à Anvisa, há 15 dias, a documentação necessária para a certificação do processo de produção em que foram feitas as doses agora banidas.

*G1

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