Butantan vai produzir vacina atualizada contra a gripe a partir de janeiro

Foto: Danilo M Yoshioka/Futura Press/Estadão Conteúdo

O Instituto Butantan, em São Paulo, começará a produzir, em janeiro de 2022, a versão atualizada da vacina contra a gripe que engloba a nova variante H3N2, que vem gerando aumento de casos em vários estados do país.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que já "iniciou as tratativas" com o Instituto Butantan para adquirir o imunizante para o próximo ano e que encomendou a vacina que contempla o vírus recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o hemisfério sul.

"O Ministério da Saúde informa que acompanha com atenção o aumento de casos de influenza em alguns estados. Neste momento, a pasta avalia as evidências científicas em relação a eficácia da vacina utilizada na campanha deste ano para a prevenção da nova cepa circulante", informou o governo federal em nota.
Segundo o Butantan, a fabricação da vacina contra a gripe começou em setembro, e será atualizada com as novas recomendações da OMS.

Uma epidemia de gripe já atinge o Rio de Janeiro e começa a afetar a cidade de São Paulo e a região metropolitana, segundo o pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marcelo Gomes.

O estado de São Paulo apresenta forte tendência de crescimento a longo prazo nos casos graves de doenças respiratórias, como a gripe ou a Covid-19, segundo o Infogripe, sistema da Fiocruz que monitora em todo o país os casos graves de doenças respiratórias.

Hospitais lotados
Apesar disso, os dados oficiais do monitoramento ainda não apontaram aumento de casos graves provocados pelos vírus Influenza A e B no estado de São Paulo. O coordenador do Infogripe alerta que isso pode ocorrer por conta do atraso no resultado de análises laboratoriais, que determinam qual o vírus por trás de cada caso, e também devido aos ataques de hackers que afetaram os sistemas do Ministério da Saúde nos últimos dias.

Em nota, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) confirmou que verificou um fluxo maior de pacientes com sintomas de gripe nos hospitais nas últimas semanas. Isso inclui também pacientes leves, que não são considerados no levantamento do Infogripe.

“O SindHosp tem observado, de forma pontual, um fluxo maior de pacientes com sintomatologia gripal nos prontos-socorros dos hospitais privados. No entanto, este movimento nāo traduz, necessariamente, uma tendência, e deverá ainda ser acompanhado”, afirma o sindicato.

Até o último dia 6 de dezembro, foram verificados 229 casos de pessoas hospitalizadas ou mortas por conta de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocada pelos vírus Influenza A e B no estado de São Paulo, segundo o Infogripe. Em 2020, foram 463 casos ao longo de todo o ano. O levantamento considera pacientes que tiveram tosse ou dor de garganta e algum sinal de desconforto respiratório.

Os dados específicos para gripe da Fiocruz, que desconsideram os casos de coronavírus, ainda não mostraram aumento no estado de São Paulo nas últimas semanas. No entanto, para o pesquisador do Infogripe, o efeito nesses dados deve ocorrer em breve.

Segundo Gomes, o grande fluxo de pessoas entre as capitais do Sudeste, além da baixa cobertura da vacina da gripe, fazem com que São Paulo seja um “terreno fértil” para a epidemia da doença.

Até o início de dezembro, somente 55,5% do público alvo da campanha de vacinação contra a gripe havia se vacinado em São Paulo. A meta do governo era 90%.

“Não tem jeito: se estoura no Rio, vai estourar em São Paulo, porque tem um fluxo muito grande entre as duas cidades. Vai acabar chegando, mesmo que a gente não tenha os dados mostrando essa chegada da gripe ainda, é inevitável”, afirma o pesquisador da Fiocruz.

“Ainda mais num cenário em que o terreno é mais fértil porque há um relaxamento do uso de máscara, e a cobertura vacinal da gripe é baixa, então o terreno é muito propicio”, completou.

*G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário