Ministério da Saúde só vai decidir sobre vacinação de crianças em 5 de janeiro, diz Queiroga

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou neste último sábado (18) que o governo só divulgará uma posição oficial sobre a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid no próximo dia 5 de janeiro – daqui a quase três semanas.

De acordo com Queiroga, haverá uma audiência pública, no dia 4 de janeiro no Ministério da Saúde, que servirá de base para a decisão final da pasta.

"Até o dia 5 de janeiro é um tempo absolutamente adequado para que as autoridades possam analisar a decisão da Anvisa em todas as suas nuances, inclusive em relação à aplicação dessas vacinas", afirmou Queiroga a jornalistas.

Na quinta (16), a Anvisa autorizou o uso do imunizante da Pfizer nas crianças dessa faixa etária. A vacina a ser aplicada terá uma formulação ligeiramente diferente da versão para adultos e, por isso, ainda não há doses disponíveis no Brasil para esse público-alvo. 
A Pfizer informou na sexta (17) que ainda não é possível determinar a data de entrega de doses pediátricas da sua vacina contra a Covid-19 ao Brasil. Em nota, a farmacêutica disse que está fazendo "todos os esforços para que as doses cheguem ao país o mais rapidamente possível".

Também na sexta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski deu ao governo federal um prazo de 48 horas para se manifestar sobre a inclusão dessa faixa etária no plano de vacinação.

A ação protocolada no STF tem o objetivo de obrigar o governo a criar um cronograma de vacinação infantil antes da volta às aulas, além de definir um dia nacional de vacinação ou fixar datas para mutirões de imunização.

Autorização da Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na última quinta-feira (16) a aplicação da vacina da Pfizer contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.

Neste sábado, o ministro Queiroga afirmou que a autorização da Anvisa para vacinação dessa faixa etária não é suficiente para iniciar a vacinação.

"Não é suficiente porque você olha todas as políticas públicas que estão aqui no Ministério da Saúde e verifica todas as autorizações que a Anvisa fez em relação a medicamentos, a dispositivos médicos. Basta só ver o que tem autorizado pela Anvisa e o que tá incorporado no SUS. São avaliações distintas", afirmou ele.

Segundo Queiroga, é preciso "verificar a decisão da Anvisa na suas minúcias".

Na noite de quinta, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, já tinha rebatido as afirmações de Queiroga sobre uma necessidade de "reanálise" do tema.

"Não trata-se apenas de uma decisão dos comitês técnicos da agência com seus mais de 20 anos de experiência. (...) As sociedades médicas (também) nos deram a segurança para promulgar a decisão que fizemos com base técnica, nada de política, nada de outras influências", declarou Barra Torres.

"E o que esperamos agora é uma análise o mais rápida possível (por parte do ministério). Eu tenho certeza que o senhor ministro de estado, ao contatar essas entidades, terá logicamente os mesmos pareceres que nós tivemos e hoje foram colocados em público", prosseguiu.

Divulgação de nomes de sevidores
Na noite de quinta (16), o presidente Jair Bolsonaro — que declara não ter se vacinado — levantou dúvidas sobre a decisão da Anvisa em uma transmissão ao vivo nas redes sociais. O presidente cobrou a divulgação do nome dos responsáveis pela autorização e disse que os pais devem avaliar se darão ou não o imunizante.

Na sexta-feira (17), a Associação de Servidores da Anvisa (Univisa) repudiou as intimidações do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao corpo técnico do órgão após a aprovação da vacina da Pfizer contra Covid para crianças.

Também nesta sexta, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, reagiu e defendeu a decisão da agência. Ele lembrou que em outubro e em novembro membros da Anvisa foram alvos de ameaças.

"Não faz muito tempo, fomos ameaçados com morte, uma série de perseguições e de outros atos criminosos", declarou. Isso, segundo ele, acrescentou ao trabalho — "que já é muito difícil, complexo e desgastante — preocupações completamente desnecessárias", afirmou ele.

*G1

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