Falta de dinheiro obriga os brasileiros a renegociar dívidas de serviços básicos

FOTO: Marcello Casal JR/AGÊNCIA BRASIL

A falta de dinheiro está obrigando os brasileiros a renegociar dívidas de serviços básicos, como água e luz.

É para não deixar de comer que se escolhe a conta que vai ser paga. “Você prioriza sobreviver, com essa dificuldade você deixa pra trás as coisas menos importantes”, conta o motorista Eduardo Zamba.

É para voltar a ter luz em casa que se quita o que está atrasado. O Ronaldo é motorista de aplicativo e, nos últimos dias, conseguiu finalmente juntar o dinheiro que precisava. Neste último sábado (2), acordou cedo e procurou a distribuidora de energia para regularizar a situação.

“Eu optei por fazer isso, pagar três, quatro contas por dia, não vou pagar os juros, e eles ligam de novo. E não deixar atrasar mais, né? Porque ficar sem luz não dá, né?", relata Ronaldo.
As histórias têm o peso e o tamanho do desafio que tem sido pagar uma conta no Brasil. São pessoas que tentam negociar, tentam chegar a um acordo e tirar da frente uma das preocupações que vieram com o agravamento da crise econômica.

Diante de uma inflação alta e persistente e da queda na renda, o essencial para viver pesa mais para as famílias mais pobres, fazendo com que mais brasileiros enfrentem dificuldades na hora de quitar contas de serviços básicos.

Em São Paulo, a distribuidora de energia registrou um aumento de quase 77% nas negociações de parcelamento de dívida, nos cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Juntando os outros estados atendidos pela distribuidora (SP, RJ, GO e CE), a alta foi de mais de 50%. Mais de 193 mil pessoas já tiveram que renegociar o valor da conta de luz, este ano.

É boleto de luz, de água. “Tô com a água cortada. Mas vou receber essa semana, se deus quiser”, espera Evani Maria Lima, dona de casa.

É tanta gente carregando dívidas que a fila começa a se formar ainda na madrugada. Foi o que aconteceu nesta semana em São Gonçalo (RJ), com um mutirão de renegociação organizado pela prefeitura.

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) diz que é preciso facilitar o pagamento para não aumentar ainda mais a fatura de quem está endividado.

“Para as famílias de menor renda, alternativa que elas têm, dado que a inflação já reduziu sua renda, comprometeu boa parte do orçamento, é sim o parcelamento, é a negociação. O que é importante é que o controle financeiro é, e principalmente esse planejamento das parcelas, ele seja mantido em dia para que lá na frente não haja novos problemas que venham comprometer aí, não só a oferta desses serviços, como também a questão de restrição aos nomes dessas famílias”, ressalta Joelson Sampaio, professor de economia da FGV.


*G1

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