Em meio à guerra na Ucrânia, farmacêutica da BA aguarda envio de quase 7 milhões de doses de insulina do país europeu

 Foto: Bahiafarma

A guerra da Ucrânia pode trazer consequências para a produção de insulina na Bahia. Isso porque a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma) aguarda o envio de quase 7 milhões de doses do medicamento vindas do país do leste europeu.

O envio é referente a um contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento do remédio no Brasil.

O contrato com a empresa ucraniana Indar previa o fornecimento de 20 milhões de doses de insulina. Doze milhões já foram entregues. Outras 1.2 milhão de doses já saíram da Ucrânia. O diretor-presidente da Bahiafarma, Tiago Moraes, conversou com o g1 e afirmou que o lote está a caminho do Brasil.

“A carga está à salvo. Está à caminho. É uma carga que é monitorada, está vindo, está dentro do cronograma, passando pelos portos que precisa passar sem nenhum tipo de problema. A partir do momento que ela sai da Ucrânia, ele segue normalmente”, disse.
O diretor conta que o desafio neste momento é em relação às quase sete milhões de doses restantes para o cumprimento do contrato.

“O desafio é o restante da carga, com os 6.8 milhões que precisamos ainda cumprir. A gente tem trabalhado com um cronograma de 3 a 6 meses para conclusão do contrato. A gente trabalha com esse prazo para chegar aqui”, disse.

Segundo Tiago, uma opção para escoar a carga seria por via terrestre até países vizinhos. A sede e a fábrica da empresa ficam em Kiev, mas o porto utilizado pela Indar fica em Odessa, cidade no sudoeste da Ucrânia que foi pouco atingida pelas forças russas até agora, mas que pode ser um alvo dos russos após a conquista de Kherson.

“Uma opção seria sair de caminhão para atravessar a Ucrânia e acessar a Europa pela Polônia. E aí seriam duas opções, o porto de Frankfurt (na Alemanha) ou um porto na Grécia”, contou.

De acordo com o gestor, a Bahiafarma tem mantido contato diário com representantes da empresa ucraniana. Segundo ele, apesar da guerra, as informações são de que a produção segue acontecendo.

“A gente tem buscado todos os dias pela manhã ter notícias e acompanhar a situação, através de troca de mensagens ao longo do dia. A informação, que é boa por enquanto, é que a produção segue operando”, disse.

Tiago descartou a possibilidade de um desabastecimento de insulina no Brasil por conta da guerra.

“Isso precisa ficar claro. O Ministério da Saúde já se manifestou, porque tem um outro contrato com uma outra empresa, cuja produção não é na Ucrânia, o que garante esse backup, então não há motivo para alerta, logicamente é uma situação a ser monitorada. Estamos atualizando diariamente o Ministério da Saúde, mas não há motivos para risco que nos traga alerta”, diz.

O outro contrato com o governo federal é com uma empresa da Dinamarca. Tiago Moraes lembra que além da guerra, outros produtos biológicos foram atingidos por conta da pandemia de Covid-19, mas que a situação está se normalizando neste momento.


*G1

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