Dia das mães: 'efeito pandemia' faz preço de flores subir até 400%; planta em vaso vira opção mais acessível

Foto: Cooperativa Veiling Holambra

As flores estão entre os presentes preferidos dos filhos para o Dia das Mães, mas o preço de alguns arranjos chega assustar até quem está atrás do balcão. Por conta do "efeito pandemia", que provocou o cancelamento de eventos nos últimos dois anos, a produção das chamadas flores de corte, usadas em arranjos e buquês, foi reduzida e o aumento da demanda neste ano fez o valor do produto disparar - em alguns casos, a alta chega a 400%. Para não perder vendas, floriculturas mudaram de estratégia e oferecem mais opções de flores e plantas em vasos, com preços acessíveis.

Segundo Renato Opitz, diretor do Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura), que representa todos os agentes ligados à cadeia produtiva do setor, o mercado está superaquecido após a retomada dos eventos e festas presenciais, e a disputa pelas flores de corte provocou essa alta nos preços.

Exemplos de flores de corte:
  • Rosas
  • Alstroemérias
  • Gérberas
  • Flores do campo
"São vários fatores. Tradicionalmente, maio é o mês das noivas, tem o dia das mães, mas o principal é que como não houve eventos em 2020 e 2021, não foram produzidas flores de corte em quantidade. Não havia mercado. Muitos pararam, outros diminuíram ou mudaram de cultura. Neste ano, com a retomada, os produtores se sentiram incentivados, mas isso leva tempo. O que foi plantado em janeiro só será colhido em julho. A alta ocorreu por cruzar excesso de demando com pouca oferta", pontua.

Quem trabalha no ramo conta que os preços chegaram a valores proibitivos, e a saída foi mudar de estatégia, buscando oferecer aos clientes mais ofertas de produtos em vaso, que não sofreram com tal reajuste.

"O aumento chegou a 300%, 400% em relação ao ano passado. Um maço de alstroeméria que vendíamos a R$ 35, teria de passar a vender por R$ 150 para cobrir o custo. Até por respeito aos clientes, optamos por trazer flores com preços mais atrativos, para manter a média dos nossos produtos", explica Lucas Bonadiam, gerente de uma floricultura no bairro Cambuí, em Campinas (SP).
Segundo o Ibraflor, os preços realmente sofreram aumento por conta da combinação oferta X demanda, mas muitos estabelecimentos que fizeram contratos antecipados conseguiram negociar preços melhores, e que os custos dispararam na última semana.

"Quem deixou para comprar na última hora acabou pagando mais caro. Mas quem se planejou, conseguiu um preço melhor. Mas o mercado de forma geral está abastecido e com preço razoável. Apenas as flores de corte sofreram esse impacto. Flor em vaso e plantas verdes são alternativas para os consumidores", garante Opitz.

A vendedora Juliana Fortunato, que trabalha em uma floricultura no Nova Campinas, em Campinas (SP), conta que a expectativa do setor é alta para a data, com aumento das vendas em relação ao ano anterior, e que apesar da alta nas flores de corte, as opções em vaso estão acessíveis, com presentes na casa dos R$ 35.

"Em uma semana o pacote de rosas subiu de R$ 40 para R$ 75. Tem produtos que a gente consegue segurar o valor, mas outras coisas tem que repassar. Mas há opções para todos os bolsos, e esperamos aumento nas vendas no sábado e no domingo", avisa.

Produtor receoso
Produtores que sofreram durante a pandemia da Covid-19 contam que essa diminuição na oferta de alguns produtos ocorreu pelo receio que houve para investir em novas plantações. Bete Korstee, de Holambra (SP), conta que chegou a perder três estufas de bolas belgas, que também costumam ser usadas em eventos e decorações. Como a plantação deve ser planejada com sete meses, adotou a cautela, e viu o "boom" pela procura de produtos crescer nas últimas duas semanas.

"Nós temos que pensar como está o mercado antes de plantar, e o cenário não era promissor. Tivemos um começo de ano bem ruim, vendendo vasos abaixo do preço de custo. Nos picos de anos anteriores, chegava a vender 8 mil bolas belgas por semana. Agora, vendi 6 mil. Boa parte da produção já havia negociado, e com preços baixos. Quem comprou antecipado para revender, vai conseguir oferecer boas opções para os consumidores", avisa.

Segundo a produtora, que também trabalha com roseiras em vasos e plantas verdes, a ideia é oferecer quantidade e qualidade aos consumidores, mas o cenário pede cautela, com aumento dos custos de insumos, como das matrizes, importadas e pagas em dólar, passando pelos fertilizantes.

"Apesar disso, vamos produzir mais. Não queremos que falte planta para ninguém", avisa.

Redução à vista
Segundo o diretor do Ibraflor, o cenário de alta nos preços de flores de corte, muito utilizadas em arranjos e eventos, como festas e casamentos, deve mudar no segundo semestre, com aumento da colheita.

"Provavelmente no Dia dos Namorados ainda deve ter esse problema, mas no segundo semestre deve normalizar", avisa Opitz.

Alta no faturamento
O Dia das Mães de 2022 deve representar um aumento de 12% no faturamento dos produtores que negociam flores pela Cooperativa Veiling, em Holambra (SP), maior do Brasil, com cerca de 350 associados. A expectativa é que 20 milhões de unidades sejam comercializadas na data, a mais importante para o setor.

De acordo com o Veiling, o Dia das Mães representa cerca de 16% das vendas anuais da floricultura no país. O aumento estimado é em comparação com o registrado em 2021, quando foram negociados R$ 20 milhões em flores.


*G1


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